Paulo Raimundo, secretário‑geral do Partido Comunista Português (PCP), apelou no domingo aos portugueses para que «provoquem o sobressalto» e pediu ao Partido Socialista (PS) que não viabilize o Orçamento do Estado para 2027. A intervenção ocorreu na 50.ª edição da Festa do Avante!, onde o líder comunista centrou as críticas na política do Executivo liderado por Luís Montenegro.
Acusações direccionadas ao Governo e a quem o suporta
No comício, Paulo Raimundo afirmou que a política de Governo «merece censura» e responsabilizou igualmente «todos os que apoiam, suportam e viabilizam» essa política. No conjunto das críticas dirigidas ao Executivo, o secretário‑geral do PCP acusou a maioria de governação de apresentar uma imagem que não corresponde «à realidade do dia a dia», referindo a perda de poder de compra dos salários e das reformas face ao aumento do custo de vida.
«É também responsável o PS, que viabilizou o Orçamento do Estado do PSD/CDS», afirmou o líder comunista durante o comício.
Paulo Raimundo considerou que, para além das questões de competência e dos casos vinculados a membros do Governo, a principal causa dos problemas nacionais está nas opções políticas do Executivo e nas forças parlamentares que as sustentam.
Alvos políticos e prioridades do discurso
O líder do PCP enumerou vários partidos e movimentos que, na sua opinião, contribuem para uma política que favorece «uns poucos» em detrimento da maioria da população. Entre os citados surgem o próprio PS, a Iniciativa Liberal e o Chega. Segundo o secretário‑geral, estes actores, por ação ou omissão, teriam dado suporte a medidas que beneficiam o grande capital, citando como exemplo a redução do IRC.
- PS — apontado como responsável por ter viabilizado um orçamento anterior do PSD/CDS;
- Iniciativa Liberal — identificada como promotora de políticas favoráveis ao grande capital;
- Chega — acusado de, na sua visão, alinhar com o Governo em matéria estrutural.
No discurso, Paulo Raimundo insistiu na necessidade de mobilização social para contrariar as políticas que, segundo o PCP, têm agravado o custo de vida, incluindo aumentos nos combustíveis, nos bens alimentares e nas despesas com habitação.
Implicações políticas e prazos
A pressão pública do PCP sobre o PS assume relevância política imediata porque lança um apelo direto para que o PS não viabilize o Orçamento do Estado para 2027. Esse cenário colocaria o Executivo numa situação delicada e poderia conduzir a negociações intensas no Parlamento ou a instabilidade política, consoante a decisão final do PS e de outros partidos.
Até ao momento, o PS não anunciou publicamente a sua posição definitiva sobre o voto no Orçamento de 2027. A declaração de Paulo Raimundo constitui, não obstante, um sinal de que o PCP pretende empurrar o debate para o centro do espaço público e parlamentar nas próximas semanas.
| Actor | Acusação/posição |
|---|---|
| Governo (Luís Montenegro) | Orquestração de políticas que empobrecem rendimentos face ao custo de vida |
| PS | Responsabilizado por viabilizações passadas e pressionado a chumbar o OE2027 |
| Iniciativa Liberal e Chega | Identificados como cúmplices, por favorecerem interesses do grande capital ou alinharem com políticas governamentais |
O apelo do PCP surge num momento em que a discussão sobre o próximo Orçamento será determinante para definir prioridades políticas e sociais para 2027. A evolução dos contactos entre partidos e a posição final do PS serão determinantes para aferir se o caminho apontado pelo secretário‑geral comunista terá efeitos práticos no Parlamento.
As próximas semanas deverão trazer mais claridade sobre votações e posições oficiais, com impacto direto na estabilidade governativa e na perceção pública sobre a capacidade do país de responder aos desafios do custo de vida e das políticas económicas.