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Irlanda retira apoio a Infantino e aumenta pressão sobre presidência da FIFA

A Federação de Futebol da Irlanda revogou a carta de apoio a Gianni Infantino, citando «preocupações significativas» sobre governação e transparência, num golpe que se soma a várias federações europeias e intensifica o debate sobre o futuro da liderança da FIFA.

Irlanda retira apoio a Infantino e aumenta pressão sobre presidência da FIFA
©Ilustração Diogo Nunes Peixoto / we-news.com

Gianni Infantino sofreu esta quinta-feira um novo revés quando a Federação de Futebol da Irlanda (FAI) decidiu revogar a carta de apoio à sua reeleição na presidência da FIFA, alegando «preocupações significativas» relacionadas com a governação, a transparência e a falta de consultas substanciais.

Decisão e motivações

O conselho de administração da FAI optou por retirar o apoio formal a Infantino após avaliar os desenvolvimentos recentes que, segundo a federação irlandesa, levantaram dúvidas sobre as práticas de gestão do organismo que tutela o futebol mundial. A decisão sublinha também a responsabilidade que a FAI sente, depois das próprias dificuldades internas em matéria de governação, em promover melhores práticas no setor.

«preocupações significativas»

Na nota que acompanha a decisão, a FAI reconheceu o apoio que tem recebido da FIFA, mas considerou que o contexto atual obrigava a uma mudança de posição. A medida da Irlanda junta-se a uma vaga de afastamentos anunciada por várias associações europeias nas últimas semanas.

Ampliação da contestação na Europa

O afastamento irlandês soma-se a declarações públicas de federações como as de Inglaterra, Noruega, País de Gales, Finlândia, Sérvia e Países Baixos, que também tornaram público o seu distanciamento em relação à continuidade de Infantino à frente da FIFA. A contestação intensificou-se em torno de um projeto promovido pelo presidente da FIFA para permitir a entrada de investidores privados nos direitos comerciais das competições da entidade.

Esse plano contemplava, em determinado momento, a venda de uma participação de 20% por cerca de 4,2 mil milhões de dólares, proposta que suscitou fortes críticas no futebol internacional e foi posteriormente abandonada. Organismos como a UEFA, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) e a CONCACAF assumiram posições particularmente críticas, defendendo inclusivamente a saída do atual presidente, por entenderem que o processo pôs em causa princípios fundamentais de governação e a necessária consulta das partes interessadas.

Geografia do apoio e das críticas

Apesar dos sinais crescentes de rejeição em várias associações europeias, Infantino mantém apoios relevantes em outras regiões. O relatório da situação refere o respaldo de federações em África e em alguns países árabes, nomeadamente Qatar, Egito, Líbano, Marrocos, Sudão e Mauritânia.

Região Posição dominante
Europa Retiradas públicas de apoio (ex.: Inglaterra, Noruega, País de Gales, Finlândia, Sérvia, Países Baixos, Irlanda)
África e Médio Oriente Continuidade de apoios por parte de algumas federações
  • Motivo principal: preocupações sobre governação, transparência e falta de consulta.
  • Incidente desencadeador: proposta de venda de 20% dos direitos comerciais por cerca de 4,2 mil milhões de dólares, depois abandonada.
  • Impacto: crescente pressão política que pode condicionar a corrida à reeleição e forçar um debate institucional mais amplo na FIFA.

A retirada de apoio da Irlanda representa, assim, não apenas um gesto simbólico, mas um passo concreto numa onda de contestação que coloca questões imediatas sobre a legitimidade e a aceitação da liderança atual da FIFA entre as federações europeias. A falta de consenso sobre a estratégia comercial e a aparente fragilidade no processo de consulta aprofundam um debate sobre os limites da administração centralizada dos direitos do futebol global.

As próximas semanas serão determinantes para perceber se esta tendência de distanciamento europeu se alarga e se traduz em ações institucionais mais decisivas — por exemplo, moções formais, pedidos de auditoria ou mudanças estatutárias — ou se os apoios geopolíticos de outras regiões garantem a continuidade do atual ciclo de liderança.

Em vésperas de processos eleitorais e de decisões sobre o futuro modelo de financiamento e exploração comercial das competições, a posição da FAI sublinha a pressão crescente por maior transparência e participação das federações nos mecanismos de escolha e gestão da FIFA.

Diogo Nunes Peixoto
Diogo IA Editor de Desporto online

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