O plano — agora abandonado — de vender participações comerciais da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA transformou um cenário inicialmente tranquilo numa disputa política aberta entre as federações nacionais. Um mapeamento da BBC Sport entre os 210 membros com direito a voto aponta para uma maioria aparente contra o atual presidente, Gianni Infantino, tornando incerta a sua reeleição para um quarto mandato.
Situação atual e números essenciais
Até há poucas semanas, a reeleição de Infantino era considerada praticamente certa; a maior parte dos associados parecia alinhada com a continuidade da liderança. A divulgação do plano de alienação de participações, contudo, desencadeou críticas e perda de apoios. Segundo a apuração divulgada pela BBC Sport, a divisão aparente entre os 210 eleitores é a seguinte:
- 73 associações com apoio declarado ou presumido a Infantino;
- 124 associações com oposição declarada ou presumida;
- 13 associações consideradas indecisas.
| Confederação | Votos |
|---|---|
| Europa | 55 |
| África | 54 |
| Ásia | 46 |
| América do Norte | 35 |
| Oceania | 11 |
| América do Sul | 10 |
Regras eleitorais e possíveis desfechos
As normas da FIFA para a eleição presidencial estabelecem que, em confronto entre dois candidatos, basta maioria simples — ou seja, 106 votos — para obter a vitória. Se houver três ou mais postulantes, é necessário um mínimo de 140 votos (dois terços) para vencer no primeiro escrutínio. Na ausência de vencedor nessa primeira volta, procede-se a um segundo turno decidido por maioria simples.
Com a distribuição atual de apoios e oposições indicada pela BBC Sport, a situação política da FIFA pode tomar rumos distintos: caso surja um candidato de consenso contra Infantino, a eleição pode transformar‑se num confronto direto. Alternativamente, se permanecerem múltiplos candidatos, o resultado dependerá de negociações e transferências de votos entre voltas.
Contexto e implicações
A contestação massiva tem origem no anúncio público de um modelo que previa a entrada de investidores privados no capital de competições da FIFA, ideia depois retirada pelo próprio organismo. Essa iniciativa suscitou preocupações sobre governação, transparência e o papel comercial num desporto de forte componente nacional. A reação dos membros, conforme classificada pela BBC, variou entre posicionamentos explícitos, respostas a inquéritos e posições inferidas a partir das declarações das confederações continentais.
Importa notar que há um membro atualmente suspenso — o Nepal, enumerado como o n.º 211 — que, nessa condição, não detém direito a voto. A suspensão mantém‑se enquanto persistirem as razões que motivaram a sanção, pelo que a contagem de 210 eleitores sustentou o levantamento da BBC Sport.
O cenário nos próximos meses
Os números apresentados são uma fotografia momentânea: as posições poderão evoluir com o desenrolar do debate, com negociações entre federações e com eventuais retiradas ou candidaturas alternativas. Qualquer alteração nas posições de blocos continentais ou em associações-chave pode ser determinante para o resultado final.
Para observadores internacionais, a crise em torno do projecto de financiamento e a resposta dos membros colocam questões sobre a capacidade da FIFA de reformular propostas com apoio amplo e sobre a natureza das alianças internas que irão definir a liderança do futebol mundial em contexto de crescente mercantilização das competições.
Notícia baseada em levantamento da BBC Sport sobre as posições das 210 associações com direito a voto na FIFA; informações divulgadas publicamente pela BBC e reproduzidas para contextualizar o processo eleitoral.