O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) considerou que a passagem da Volta a Portugal pela Mata da Albergaria, no Gerês, demonstrou ser possível compatibilizar uma grande prova desportiva com a preservação de um espaço natural sensível. A avaliação foi feita após a realização da sétima etapa da 87.ª edição, que ligou Vieira do Minho à vila do Gerês, ao longo de 153 quilómetros.
Presença institucional e cumprimento das restrições
Segundo o ICNF, a diretora regional do Norte acompanhou a etapa e destacou que as equipas do instituto estiveram presentes durante todo o dia, com vigilantes e elementos do Corpo Nacional de Agentes Florestais a acompanhar a organização da prova. A observação operacional permitiu concluir que foram cumpridos os termos do parecer emitido pelo ICNF a 4 de agosto, um dia antes do início da Volta.
«Correu tudo muito bem. Foi possível compatibilizar uma prova referência a nível nacional, de um desporto absolutamente fantástico, com os objetivos da conservação da natureza e da biodiversidade»
Esta passagem pela mata, que alberga um bosque de carvalhais galaico-portugueses e se encontra classificada como Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa desde 1988 e como Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés pela UNESCO desde 2009, foi sujeita a um conjunto de medidas restritivas destinadas a minimizar impactos ambientais.
Medidas aplicadas e fiscalização
O parecer do ICNF incluía orientações específicas que foram aplicadas durante a passagem da caravana e dos ciclistas. Entre as medidas destacam-se limites à presença do público e regras de circulação rodoviária, bem como regras de conduta para a caravana da prova.
- Interdição da presença de público em áreas sensíveis;
- Proibição de circulação automóvel acima de 40 km/h;
- Proibição do uso da buzina;
- Ausência de áreas de descarte e penalização com exclusão para corredores que atirassem resíduos para o chão.
O ICNF salientou que houve uma «avaliação e ponderação equilibrada» do pedido de passagem e que a prova cumpriu integralmente os pressupostos do parecer, reduzindo o risco de ocupações indevidas e outros impactos negativos sobre a biodiversidade da mata.
Consequências e lições para eventos desportivos
A experiência no Gerês apresenta-se como um exemplo prático da possibilidade de conciliar eventos desportivos de grande visibilidade com exigências de conservação, desde que sejam definidas e cumpridas medidas precisas de mitigação e controlo. Para o ICNF, a conjugação de um planeamento prévio, vigilância in loco e uma implementação rigorosa das restrições foi determinante para o resultado positivo observável.
Do ponto de vista da organização desportiva, a passagem por áreas protegidas coloca um conjunto de condicionantes que afetam logísticas, segurança e comunicação com o público. A adoção de medidas restritivas, como as aplicadas nesta etapa, impõe uma disciplina acrescida por parte da organização, dos participantes e dos espetadores, mas permite a realização de provas sem comprometer, segundo o instituto, os objetivos de conservação.
| Elemento | Detalhe |
|---|---|
| Etapa | Sétima da 87.ª Volta a Portugal |
| Trajeto | Vieira do Minho – vila do Gerês |
| Distância | 153 km |
| Classificações da mata | Reserva Biogenética (1988); Reserva da Biosfera (2009) |
Para além do valor desportivo, a etapa levantou questões sobre o enquadramento de futuras passagens da Volta e de outras provas por áreas protegidas. A experiência poderá servir de referência para a definição de modelos de cooperação entre entidades de conservação e organizadores desportivos, equilibrando a promoção do desporto com a salvaguarda dos habitats e espécies ali presentes.
O balanço do ICNF aponta, portanto, para uma solução pragmática: é possível realizar eventos de referência em zonas sensíveis, desde que exista um quadro de regras claras e fiscalização efetiva durante toda a operação.