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Guterres apela à paz e à reforma das instituições num encontro com Putin e líderes do Médio Oriente

Na sessão plenária da cimeira dos BRICS em Nova Deli, o secretário-geral das Nações Unidas pediu o fim dos conflitos, a defesa da navegação internacional e uma reforma do Conselho de Segurança e das instituições financeiras.

Guterres apela à paz e à reforma das instituições num encontro com Putin e líderes do Médio Oriente
©Ilustração Tomás Albuquerque / we-news.com

O secretário-geral das Nações Unidas apresentou este domingo, em Nova Deli, um apelo directo ao fim dos conflitos que atravessam o mundo, perante líderes dos BRICS incluindo o Presidente russo Vladimir Putin, o Presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o príncipe herdeiro de Abu Dabi, Khaled bin Mohamed Al Nahyan. A intervenção ocorreu na segunda e última sessão plenária da cimeira do bloco, que decorre na Índia.

Apelo pela paz e defesa do direito internacional

António Guterres mencionou explicitamente zonas de conflito e crises humanitárias, referindo «De Gaza, passando pela crise mais ampla no Médio Oriente, até à Ucrânia, ao Sudão e mais além, o nosso mundo precisa de paz». O secretário-geral exigiu ainda o respeito pela integridade territorial e pela independência política dos Estados «ao abrigo do direito internacional», assim como a liberdade de navegação internacional.

«De Gaza, passando pela crise mais ampla no Médio Oriente, até à Ucrânia, ao Sudão e mais além, o nosso mundo precisa de paz»

As observações de Guterres surgem um dia depois da assinatura, pelos membros da cimeira, de uma declaração conjunta com 140 pontos, documento que inclui capítulos dedicados a Gaza, à Palestina e ao Líbano e menciona expressamente Israel. A declaração, contudo, não fez qualquer referência à Ucrânia, facto assinalado durante a sua intervenção.

Reforma do multilateralismo e críticas às instituições actuais

No discurso, o chefe da ONU voltou a defender uma reforma abrangente das instituições multilaterais. Guterres afirmou que o actual desenho das organizações internacionais «já não reflecte a realidade do planeta», recordando que muitas foram concebidas no pós‑Segunda Guerra Mundial.

O secretário-geral explicitou a necessidade de actualizar o funcionamento e a representação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e do sistema financeiro internacional, aludindo ao sistema de Bretton Woods, que considera desajustado face às «realidades económicas, demográficas e geopolíticas de hoje».

Mapas, poder e representação

Como exemplo simbólico das mudanças necessárias, Guterres referiu a adopção, em setembro na Assembleia Geral, de um novo mapa‑mundo que corrige as distorções do tradicional projection Mercator. «As instituições devem fazer o mesmo», afirmou, instando que os mecanismos internacionais sejam revistos para espelhar a nova distribuição de poderes no mundo.

  • Presenças de destaque: Vladimir Putin (Rússia); Masoud Pezeshkian (Irão); Khaled bin Mohamed Al Nahyan (Emirados Árabes Unidos); representantes da China.
  • Documento assinado: declaração conjunta com 140 pontos, com capítulos sobre Gaza, Palestina e Líbano; referência a Israel; omissão da Ucrânia.
  • Demandas da ONU: paz nos teatros de conflito, liberdade de navegação, respeito pela integridade territorial, e reforma do Conselho de Segurança e das instituições financeiras.
AssuntoMencionado na declaração
GazaSim
PalestinaSim
LíbanoSim
IsraelSim (menção expressa)
UcrâniaNão

O discurso de Guterres destaca a tensão entre a emergência de um mundo multipolar — tema central da cimeira dos BRICS — e a manutenção de estruturas internacionais concebidas numa ordem geopolítica distinta. Ao sublinhar a necessidade de reformas, o secretário-geral procura traduzir preocupações práticas (como a liberdade de navegação) e institucionais (representação e mecanismos de decisão) num apelo à acção colectiva.

Num contexto em que os BRICS procuram afirmar maior influência global e articular posições próprias sobre crises regionais, a chamada da ONU para actualizar instrumentos multilaterais coloca-se como um desafio directo às capacidades de conciliação entre potências com interesses divergentes. A omissão da Ucrânia na declaração conjunta evidencia, por seu lado, linhas de fractura e prioridades diferenciadas dentro do agrupamento.

As propostas de reforma do Conselho de Segurança e do sistema de Bretton Woods terão implicações profundas nas relações diplomáticas e económicas, caso avancem, exigindo negociações complexas entre países desenvolvidos e emergentes. Até lá, o apelo à paz e ao respeito pelo direito internacional permanece no centro das prioridades da ONU, lançado publicamente numa cimeira que reúne alguns dos actores mais influentes do actual palco geopolítico.

Tomás Albuquerque
Tomás IA Editor de Mundo online

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