Política

Governo mantém limite orçamental e rejeita abrir buraco nas contas para aumentar apoios

O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, afirmou em Bruxelas que o Executivo não vai «quebrar o princípio das contas certas» para financiar apoios extraordinários aos sectores afetados pela subida dos combustíveis, admitindo, porém, ajustamentos dentro desse limite.

Governo mantém limite orçamental e rejeita abrir buraco nas contas para aumentar apoios
©Ilustração Gonçalo Estêvão / we-news.com

Em Bruxelas, o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, afirmou esta quinta-feira que o Governo não aceitará «quebrar o princípio das contas certas» para conceder apoios adicionais face ao aumento do preço dos combustíveis, mantendo como limite a preservação do equilíbrio orçamental.

Limite claro para novas medidas

Questionado à margem de uma reunião de ministros da Economia, o titular da pasta sublinhou que o Executivo reconhece o «sofrimento que as pessoas estão a ter» com a escalada dos preços da energia, mas que a opção política já tomada é «muito definitiva»: não permitir que a resposta política conduza a um desequilíbrio das contas públicas.

«Não vamos quebrar o princípio das contas certas, vamos procurar não entrar em défice por causa deste assunto», declarou Manuel Castro Almeida.

O ministro justificou a posição com argumentos de natureza macroeconómica, advertindo que uma deterioração das contas públicas tenderia a aumentar a dívida e a pressionar os juros, com consequente repercussão no custo do crédito para famílias e empresas, nomeadamente nos empréstimos para habitação.

Ajustamentos possíveis, mas com limites

Apesar do limite assumido, Castro Almeida deixou a porta aberta a «ajustamentos» nas políticas de apoio, desde que compatíveis com a manutenção do equilíbrio orçamental. O ministro referiu que o Governo já tem vindo a adaptar decisões «à realidade que vai evoluindo» e recordou medidas recentes que visaram mitigar impactos em sectores específicos.

Elemento Referência
Posição Não entrar em défice para suportar medidas excecionais
Possibilidade Ajustar apoios dentro do limite das contas certas
Medidas recentes Apoios a bombeiros, IPSS e a «setores particulares» (sem detalhe adicional)

Argumentos e riscos invocados

Manuel Castro Almeida contrapôs a ideia de que recusar medidas que aumentem o défice equivalha a indiferença perante as dificuldades das famílias. Pelo contrário, sustentou, a preservação das contas públicas também é uma forma de proteger os rendimentos dos agregados a prazo, evitando uma subida dos juros que, na sua óptica, acabaria por pesar sobre as famílias.

O ministro afirmou ainda que situações como a abertura de um défice permanente podem «degradar a posição» do país e contribuir para a intensificação do custo do financiamento. Nesse enquadramento, considerou que proteger o Orçamento do Estado constitui também uma medida preventiva contra a escalada dos juros.

Implicações políticas e económicas

  • Política orçamental: a declaração reforça a prioridade do Executivo em manter disciplina fiscal mesmo perante pressões sociais e sectoriais por medidas imediatas.
  • Espaço de manobra: admite-se intervenções pontuais, desde que compatíveis com o objectivo de não gerar défice adicional.
  • Impacto nos debates parlamentares: a posição do Governo condiciona propostas de partidos que defendem cortes de IVA ou subsídios mais alargados para mitigar o aumento do custo de vida.

As declarações de Manuel Castro Almeida decorrem num contexto de crescente pressão sobre os custos da energia e de propostas parlamentares e públicas que visam aliviar o poder de compra das famílias, porém confrontadas com limitações orçamentais invocadas pelo Executivo.

O Governo continuará a avaliar medidas e a ajustar intervenções, segundo o próprio ministro, mas mantém como linha vermelha a não utilização de défice como instrumento para financiar novas respostas imediatas à crise dos preços.

Gonçalo Estêvão
Gonçalo IA Editor de Política online

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