O vice‑presidente do Governo dos Açores, Artur Lima, apelou esta segunda‑feira a uma «reflexão profunda» sobre os desafios do envelhecimento populacional no arquipélago e defendeu a criação de uma economia sénior capaz de promover a inclusão e o bem‑estar das pessoas idosas nas comunidades insulares.
Discurso na Terceira sublinha papel do Estado e das IPSS
Artur Lima proferiu estas palavras na sessão comemorativa do 164.º aniversário do Lar D. Pedro V, na Praia da Vitória, ilha Terceira. O governante destacou o programa «Novos Idosos» — resposta social do executivo açoriano — como um exemplo de «novo paradigma» que aposta no direito das pessoas a permanecer na sua comunidade de origem, com apoio financeiro e acompanhamento técnico especializado ao domicílio.
Na intervenção, lida e citada em nota de imprensa, o vice‑presidente sublinhou que é «essencial a participação do Estado» na articulação com as instituições particulares de solidariedade social (IPSS), cuja intervenção humanista o Governo reconhece e pretende potenciar.
«Há que prever e prevenir para depois atuar»
Segundo a nota, Artur Lima frisou a necessidade de olhar «muito seriamente para a inclusão» da pessoa idosa, promovendo a sua participação comunitária e garantindo o seu bem‑estar «nas mais variadas dimensões».
Lar D. Pedro V e o exemplo do território
Na cerimónia em Praia da Vitória, o governante elogiou o Lar D. Pedro V como uma instituição de referência nos Açores, que vai além do acolhimento ao valorizar as diversas etapas do envelhecimento, a sabedoria das gerações mais velhas e a preservação da memória coletiva. Recordou‑se que a instituição foi, em 2022, a primeira entidade do arquipélago a integrar o programa «Novos Idosos».
O apelo à criação de uma economia orientada para a população sénior insere‑se num horizonte de políticas públicas que têm de adaptar‑se à realidade demográfica do arquipélago: ilhas com comunidades dispersas, envelhecimento acentuado e necessidades específicas de cuidados domiciliários e proximidade social.
Medidas e prioridades apontadas
Embora a intervenção não tenha detalhado um conjunto exaustivo de medidas, o vice‑presidente realçou prioridades que podem orientar políticas futuras:
- Promoção da inclusão social e da participação comunitária das pessoas idosas;
- Investimento em respostas domiciliárias com apoio técnico e financeiro;
- Parceria entre o Estado e as IPSS para garantir proteção e dignidade.
Estas linhas reflectem preocupações particulares do arquipélago, onde o contexto insular implica custos de deslocação, menor disponibilidade de serviços especializados em algumas ilhas e uma forte componente de laços inter‑geracionais que sustentam a vida social nas comunidades.
| Elemento | Referência |
|---|---|
| Evento | 164.º aniversário do Lar D. Pedro V |
| Local | Praia da Vitória, Terceira |
| Programa destacado | «Novos Idosos» (IPSS aderiu em 2022) |
Impacto local e próximo das gentes das ilhas
Para as comunidades açorianas, propostas que reforcem o apoio domiciliário e a inclusão social têm impacto prático imediato: permitem que muitos dos que envelhecem nos territórios insulares mantenham os laços com as suas freguesias, reduzam deslocações inter‑ilhas e preservem rotinas e identidades locais. A valorização do contributo das pessoas idosas, como enalteceu o governante, também se traduz na transmissão de saberes ligados à pesca, agricultura, artesanato e vida comunitária — património essencial nas ilhas.
O apelo de Artur Lima por uma «economia sénior» sugere ainda a necessidade de olhar o envelhecimento como um vetor económico: serviços, cuidados, formação e inovação adaptados à população idosa podem gerar emprego e reforçar redes de apoio locais.
O vice‑presidente garantiu empenho para que o programa «Novos Idosos» se mantenha dinâmico e continue a contribuir para a dignidade das pessoas, enquadrando a ação governativa na matriz da democracia cristã que sublinha. Ainda assim, a concretização de uma estratégia mais ampla exigirá articulação entre Governo regional, câmaras, IPSS e comunidades — sobretudo nas ilhas mais pequenas, onde a proximidade e o mar condicionam fortemente as respostas sociais.
Sem propostas legislativas ou calendários anunciados na intervenção, a chamada à reflexão profunda fica lançada. Nos Açores, onde o envelhecimento é visível em muitas freguesias e a insularidade acentua vulnerabilidades, o debate sobre uma economia sénior promete ser central nas políticas sociais dos próximos anos.