O vice‑presidente do Governo dos Açores, Artur Lima, apelou esta segunda‑feira a uma «reflexão profunda» sobre os desafios colocados pelo envelhecimento da população e defendeu a construção de uma “economia sénior” que favoreça a inclusão, a participação comunitária e o bem‑estar das pessoas idosas.
Discurso na Terceira e exemplo de política regional
A intervenção de Artur Lima decorreu na sessão comemorativa dos 164 anos do Lar D. Pedro V, na cidade da Praia da Vitória, instituição que o Governo dos Açores elegeu como referência no acolhimento e na resposta social ao envelhecimento. O governante apontou o programa regional «Novos Idosos» como um modelo de prática que tem vindo a alterar o paradigma dos cuidados, privilegiando o direito a permanecer na comunidade de origem.
«Há que prever e prevenir para depois atuar», afirmou o vice‑presidente, defendendo ainda que «é necessário olhar muito seriamente para a inclusão» da pessoa idosa e para «o seu bem‑estar nas mais variadas dimensões».
Na sua intervenção, o responsável político sublinhou a importância de ligar a ação do Estado à atuação das IPSS (instituições particulares de solidariedade social), considerando que estas «terão sempre um papel humanista» no acompanhamento das pessoas idosas.
Envelhecimento ativo e respostas ao domicílio
O Governo regional tem procurado responder ao envelhecimento demográfico com medidas que privilegiam o envelhecimento ativo e o apoio domiciliário. O programa «Novos Idosos», citado como exemplo na sessão, oferece apoio financeiro e acompanhamento técnico especializado para permitir que os beneficiários permaneçam na sua comunidade com qualidade de vida.
Artur Lima insistiu na necessidade de antecipar tendências e de preparar uma «economia sénior» — expressão utilizada para sublinhar o impacto económico e social futuro do aumento da população idosa e a importância de articular políticas públicas, mercado e sociedade civil.
Impacto comunitário e memória coletiva
Ao evocar o Lar D. Pedro V, o vice‑presidente reforçou a ideia de que estas instituições são «muito mais do que um espaço de acolhimento». Segundo a nota divulgada pelo Governo, trata‑se de locais onde «são valorizadas todas as etapas do envelhecimento» e onde se reconhece o contributo das gerações mais velhas para a identidade e a memória das comunidades insulares.
Na região insular dos Açores, com ilhas dispersas e populações envelhecidas em muitos concelhos, o tema assume contornos específicos: o acesso a cuidados especializados, a precariedade dos meios de transporte interilhas e a necessidade de modelos de intervenção que respeitem os laços locais são fatores que condicionam a formulação de políticas adequadas.
Elementos-chave do discurso
- Promoção da inclusão e participação das pessoas idosas nas comunidades.
- Valorização do programa «Novos Idosos» como instrumento de envelhecimento ativo e de apoio domiciliário.
- Apelo a uma economia sénior que responda aos desafios demográficos e crie oportunidades económicas e sociais.
O governante reiterou o compromisso do executivo em manter o programa dinâmico e em trabalhar em articulação com as IPSS, para assegurar a dignidade das pessoas idosas — conceito que, nas suas palavras, é «matriz da democracia».
Dados e referência institucional
| Item | Dados |
|---|---|
| Instituição evocada | Lar D. Pedro V |
| Local da sessão | Praia da Vitória, ilha Terceira |
| Comemoração | 164 anos |
| Programa destacado | «Novos Idosos» (primeira instituição enquadrada em 2022) |
A sessão pública constituiu também um momento de reconhecimento local pelo trabalho das IPSS e dos profissionais que acompanham diariamente pessoas idosas no arquipélago. O Governo sublinhou a necessidade de políticas preventivas, de intervenção integrada e de modelos adaptados às especificidades insulares — onde a proximidade, os vínculos comunitários e o mar são elementos centrais da vida cotidiana.
Perante as perspectivas demográficas, a proposta de debater e construir uma «economia sénior» surge como convite à sociedade açoriana — autoridades públicas, sector social, empresas e comunidades — para repensar serviços, empregabilidade e formas de participação que preservem a autonomia e a dignidade das pessoas idosas nas ilhas.
Ao centrar a discussão na inclusão e no bem‑estar, a mensagem do vice‑presidente aponta para uma abordagem preventiva e integrada, que busca minimizar custos sociais futuros e valorizar o saber, a experiência e a memória das populações insulares.