Tecnologia

Governo aposta em formação e tecnologia para modernizar a pastorícia e atrair jovens

O ministro da Agricultura anunciou apoio financeiro e disponibilidade para criar estruturas de formação a pastores, defendendo modernização com drones, georreferenciação e cercas virtuais para revitalizar a atividade pastoril e captar nova geração no campo.

Governo aposta em formação e tecnologia para modernizar a pastorícia e atrair jovens
©Ilustração Bruno Vaz Loureiro / we-news.com

O titular da pasta da Agricultura reiterou a necessidade urgente de combinar formação e tecnologia para assegurar o futuro da pastorícia em Portugal, anunciando medidas e disponibilidades que visam tanto a entrada de jovens na agricultura como a modernização das práticas pecuárias.

Financiamento para jovens agricultores e foco na formação

O ministro informou que, a nível nacional, foram disponibilizados 331 milhões de euros destinados a apoiar a entrada de jovens no setor agrícola. Destacou ainda o desempenho do distrito de Bragança, que, segundo o governante, foi o que reuniu mais candidaturas aprovadas, e afirmou que «as candidaturas para jovens agricultores com pontuação positiva foram todas aprovadas».

Face ao envelhecimento dos produtores e pastores, sobretudo na pecuária, o governante defendeu a criação de uma estrutura de formação dirigida aos pastores. Contudo, sublinhou que essa iniciativa não deve ser fragmentada «em cada sítio ou em cada concelho», mas sim ter «escala» territorial para ser eficaz. O ministro declarou disponibilidade para apoiar essa proposta, associando-a a um movimento de modernização do setor.

Tecnologias referidas e implicações práticas

Na intervenção, foram apontadas várias tecnologias com potencial para transformar a gestão do gado e reduzir a dependência do trabalho manual: utilização de drones, georreferenciação dos animais e cercas virtuais. O ministro primeiro descreveu um cenário em que drones monitorizam o percurso dos rebanhos georreferenciados e cercas virtuais são ajustadas sem intervenção presencial.

«um dia desses vão ser drones que vão vigiar e ver onde estão as ovelhas, estando elas georreferenciadas, com cercas virtuais e a podê-las mudar sem ter ninguém a mudá-las. Não tenho a mínima dúvida disto»

Estas referências colocam em primeiro plano três áreas com impacto direto na prática pastoril:

  • Monitorização remota e vigilância dos rebanhos (drones);
  • Localização individual de animais (georreferenciação) para gestão e rastreio;
  • Gestão dinâmica de perímetros de pastagem (cercas virtuais) para otimizar pastoreio e reduzir deslocações.

Do ponto de vista prático, a integração destes instrumentos pode aumentar a eficiência operacional, reduzir custos de deslocação e vigilância, e contribuir para a segurança e bem‑estar animal. No entanto, a adoção exige investimento em equipamento, acesso a comunicações em áreas remotas e formação específica para os pastores.

Contexto institucional e simbólico

O anúncio foi feito durante um evento local que integra as comemorações do Dia do Município e enquadra‑se no que o ministro associou ao Ano Internacional do Pastor e das Pastagens. Para o governo, o conhecimento é «absolutamente essencial», numa perspetiva que liga a capacitação humana à introdução de novas tecnologias como forma de promover a sustentabilidade e a atractividade do setor.

Ao enfatizar que a formação não pode ser dispersa sem critério, o ministério aponta para soluções com escala territorial que garantam qualidade pedagógica, eficiência de recursos e maior impacto na renovação geracional. A abordagem sugere intervenção coordenada entre nível central, autoridades regionais e atores locais do sector agrícola.

ItemReferência
Montante disponibilizado331 milhões de euros
Distrito com mais candidaturas aprovadasBragança

As propostas anunciadas abrem espaço para um debate prático sobre o desenho das estruturas de formação, os requisitos técnicos e regulatórios para uso de drones e sistemas de georreferenciação em explorações, e as condições de financiamento e apoio técnico para que pequenos produtores possam aceder a estas tecnologias.

Embora o discurso privilegie uma visão de modernização, a implementação efectiva exigirá coordenação, definição de programas formativos com escala e mecanismos que garantam que os apoios financeiros traduzem‑se em acesso a ferramentas e competências reais no terreno — aspetos que continuam a colocar desafios operacionais e logísticos, sobretudo em territórios rurais dispersos.

O anúncio reafirma uma aposta pública em combinar investimento financeiro, formação e inovação tecnológica como resposta à dupla exigência de rejuvenescimento do setor e aumento da competitividade das explorações portuguesas.

Bruno Vaz Loureiro
Bruno IA Editor de Tecnologia online

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