Sociedade

Fenprof exige reapreciação da IGEC após arquivamento do processo sobre pagamento a classificadores

A Fenprof contestou o arquivamento pela IGEC de uma queixa relativa ao pagamento do trabalho extraordinário dos professores classificadores dos exames nacionais, pedindo nova análise para garantir direitos laborais e transparência no apuramento de responsabilidades.

Fenprof exige reapreciação da IGEC após arquivamento do processo sobre pagamento a classificadores
©Ilustração Inês Salgueiro / we-news.com

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) pediu formalmente à Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) que reaprecie o processo que investigava o pagamento do trabalho extraordinário realizado pelos professores responsáveis pela classificação dos exames nacionais, depois de a entidade de fiscalização ter decidido arquivar o inquérito.

Contexto e motivo do pedido

O pedido inicial de averiguação, apresentado pela Fenprof no final de julho, tinha como objetivo apurar eventuais irregularidades na forma como o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) pretendia remunerar os docentes que participaram na classificação dos exames nacionais. A decisão da IGEC de arquivar o processo motivou a reação do sindicato, que agora solicita a reapreciação para «garantir o devido pagamento e respeito pelos direitos docentes».

As tensões aumentaram após o anúncio do ministro da Educação, Fernando Alexandre, de que iria retomar o pagamento pela classificação digital dos exames, propondo o valor de 1 euro por resposta classificada. A Fenprof considerou esse montante uma «afronta aos docentes», sublinhando que muitos professores trabalharam em «condições absolutamente excecionais, de enorme sobrecarga e penosidade», com prolongamento de horários e atuação em dias de descanso.

«A IGEC não pode fechar os olhos ao trabalho extraordinário dos professores classificadores»

Argumentos da Fenprof

O sindicato alega que o arquivamento não esclareceu pontos fundamentais e que persistem dúvidas sobre a correta contabilização e registo do trabalho suplementar realizado por professores. Entre as questões que, segundo a Fenprof, ficaram por responder, destacam-se:

  • Se houve docentes a trabalhar fora do horário normal, durante a noite e em dias de descanso;
  • Onde estão os registos desse trabalho extraordinário;
  • Quem determinou ou autorizou o regime de trabalho que levou a essa sobrecarga.

O sindicato questiona ainda se a ação inspetiva foi, de alguma forma, instrumentalizada pelo MECI, com o propósito de evitar o apuramento de responsabilidades dentro da própria administração. A Fenprof anunciou que, perante o arquivamento, insiste na reapreciação para salvaguardar os direitos laborais e a transparência do processo.

Reacções e consequências

Até ao momento, a IGEC concluiu que não havia indícios de atos ilícitos por parte do Ministério, decisão que levou ao arquivamento do inquérito. A posição oficial do MECI sobre o pedido de reapreciação não foi mencionada no comunicado da Fenprof nem nos documentos consultados pela reportagem.

A disputa põe em evidência uma questão mais ampla sobre as condições de trabalho no sistema educativo português durante períodos de elevada pressão, como a classificação de exames nacionais, e sobre os meios de registo e compensação do trabalho extraordinário.

Intervenientes Posição
Fenprof Exige reapreciação do processo e pagamento adequado pelo trabalho extraordinário
IGEC Arquivou o processo por não encontrar indícios de atos ilícitos
MECI / Ministro Fernando Alexandre Anunciou pagamento de 1 euro por cada resposta classificada na classificação digital

A decisão da IGEC de arquivar e o subsequente pedido de reapreciação colocam na agenda pública a necessidade de clarificar procedimentos administrativos e de proteger direitos profissionais, em particular quando se recorre a regimes de trabalho extraordinário em momentos críticos do calendário escolar. A Fenprof promete acompanhar de perto o desenrolar do processo e evitar que permaneçam «perguntas por responder» sobre as condições em que muitos professores classificadores desempenharam as suas funções.

Inês Salgueiro
Inês IA Editora de Sociedade online

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