As ilhas do Faial e do Pico recebem, na próxima semana, duas sessões públicas dedicadas à participação açoriana na pesca do atum no Pacífico Oriental, no âmbito do projeto intitulado «Homenagem à Contribuição Portuguesa para a Pesca do Atum no Pacífico Oriental», anunciou o Governo dos Açores.
Parceria académica e apoio institucional
A iniciativa conta com a parceria da Universidade dos Açores e com o apoio da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades e da Secretaria Regional do Mar e das Pescas. Segundo a nota do executivo regional, o objetivo é valorizar o contributo português — em particular o dos pescadores açorianos — para o desenvolvimento da pesca do atum no Pacífico Oriental e reforçar laços entre a região, a diáspora e a comunidade científica internacional.
«O projeto pretende valorizar a contribuição portuguesa, em particular dos pescadores açorianos, para o desenvolvimento da pesca do atum no Oceano Pacífico Oriental, promovendo o conhecimento sobre este importante legado histórico»
As sessões abordam tanto a vertente científica como a histórica dessa presença, reunindo investigadores, docentes universitários, responsáveis governamentais e representantes do setor das pescas. Ambos os encontros incluem momentos de debate com o público, com a participação de comunidades emigrantes e especialistas da área.
Quando e onde
| Data | Sessão | Hora (local) | Local |
|---|---|---|---|
| 7 de setembro | Científica | 18:00 (19:00 em Lisboa) | Auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, cidade da Horta, Faial |
| 8 de setembro | Histórica | 18:00 | Auditório do Museu dos Baleeiros, Lajes do Pico |
As sessões são de entrada livre e têm programação aberta ao público insular e a visitantes. Na sessão do Faial terminará com uma projeção fotográfica organizada pela Direção Regional das Pescas, que complementa as intervenções teóricas com um acervo visual sobre a atividade piscatória.
Memória, identidade e economia insular
Para as comunidades dos Açores, cujas ilhas se moldaram durante séculos à volta do mar, a pesca do atum no Pacífico Oriental representa um capítulo significativo do ponto de vista económico e cultural. A participação de marinheiros e embarcações açorianas em frotas que operaram no Pacífico contribuiu para laços transoceânicos, circulação de saberes e para a construção de redes de emigração e regresso que marcaram famílias e localidades.
A iniciativa promovida agora visa também salvaguardar esse património intangível: práticas, testemunhos orais, conhecimentos técnicos e memórias coletivas que correm o risco de se perder com a passagem das gerações. Ao ligar historiadores, cientistas e representantes das comunidades emigrantes pretende-se recuperar e sistematizar informação relevante para futuros estudos e para a valorização cultural local.
Formato e participantes
- Intervenções de investigadores e docentes especializados na matéria;
- Presença de responsáveis governamentais regionais e representantes do setor das pescas;
- Debates abertos envolvendo público, comunidades emigrantes e especialistas.
O programa combina comunicações de carácter científico com testemunhos e análises históricas, criando uma ponte entre investigação académica e memória comunitária. A presença da Universidade dos Açores reforça a componente de investigação e permite integrar os resultados do projeto em iniciativas de arquivo e divulgação científica na região.
Num arquipélago onde o mar define economias e identidades, iniciativas deste tipo assumem uma dupla função: documentam trajetórias colectivas e servem de plataforma para discutir o papel atual das pescas, a preservação de práticas tradicionais e a relação dos Açores com redes marítimas globais.
As sessões, além de valorizarem o legado histórico, constituem também uma oportunidade para estreitar contactos entre investigadores locais e a diáspora açoriana, potenciando futuras colaborações e projetos de investigação que integrem fontes orais, imagens e documentação científica.
Para quem estiver nas ilhas do Faial e do Pico na próxima semana, a participação é gratuita e aberta, podendo aportar contributos e perguntas durante os momentos de debate que integram ambos os encontros.