A Federação Académica do Desporto Universitário (FADU) propõe que as instituições de Ensino Superior salvaguardem 50 euros de cada propina para financiar a actividade desportiva estudantil, uma solução apontada como fonte interna de receita para colmatar carências estruturais e promover a continuidade da prática desportiva.
Objectivos e aplicações previstas
Diogo Braz, presidente da FADU, sublinha que a verba deverá servir vários fins operacionais e estratégicos: o investimento em infraestruturas, a criação de programas de apoio à prática desportiva, medidas relacionadas com a carreira dual (conciliação entre estudos e desporto), a organização de competições internas e a contratação de profissionais de apoio à actividade desportiva.
- Infraestruturas desportivas próprias;
- Programas de incentivo e retenção de praticantes;
- Apoio à carreira dual de estudantes‑atletas;
- Competições e logística interna;
- Profissionais técnicos e administrativos de suporte.
Diagnóstico e urgência
O apelo da FADU surge na sequência de um estudo de diagnóstico apresentado em março, que revela limitações significativas na capacidade física das instituições para responder às competições universitárias. Segundo os dados divulgados, mais de 60% das instituições não dispõem de instalações desportivas próprias e cerca de 87% recorrem a equipamentos externos para as suas actividades.
| Indicador | Percentagem |
|---|---|
| Instituições sem instalações próprias | >60% |
| Instituições a recorrer a instalações externas | ≈87% |
Estes números são usados pela federação para justificar a necessidade de uma fonte de financiamento estável e interna que permita às universidades desenvolverem uma estratégia mais ambiciosa para o desporto.
Autonomia institucional e diálogo com a tutela
Diogo Braz frisou que a intenção da FADU não passa por interferir na autonomia das universidades: «Vamos lançar este repto e dizer: atenção a esta possibilidade», afirmou, defendendo que a proposta pretende apenas abrir caminho para que os responsáveis das instituições considerem formas de canalizar recursos para o desporto universitário.
«Podem ter aqui uma fonte de financiamento interna que lhes permita canalizar recursos para esta questão do desporto universitário.»
Os dados do estudo já foram transmitidos ao Ministério com responsabilidades no Ensino Superior, numa tentativa de provocar um estímulo de apoio e incentivo às instituições.
Impacto na prática desportiva e desafios de retenção
Para a FADU, a proposta tem uma dimensão social e desportiva: o arranque de cada ano académico coincide com um período de risco acrescido de abandono da actividade física, sobretudo na transição do ensino secundário para o superior — fase apontada como aquela em que se verifica «o maior abandono desportivo». A federação quer inverter esse fenómeno e pede aos novos estudantes que mantenham a prática: «que não deixe as sapatilhas à porta», sintetizou o presidente.
Ao reconhecer progressos recentes, Diogo Braz também admitiu que a situação «já esteve pior» e que, embora não seja «de forma fantástica», tem havido melhorias. Ainda assim, entende‑se que a proposta dos 50 euros visa acelerar esse progresso e criar condições mais sustentadas para a actividade física no universo académico.
Resta agora saber se as instituições aceitarão a ideia como mecanismo interno de financiamento voluntário ou regulamentado, bem como qual será a resposta da tutela às propostas transmitidas pela FADU. A iniciativa coloca na ordem do dia a reflexão sobre a integração do desporto como elemento central na estratégia das universidades portuguesas e sobre os modelos de financiamento que melhor respondem a essa ambição.