Setúbal — A Casa Bocage acolhe, até 3 de outubro, a exposição "O Bocage de Júlio Pomar", que reúne nove desenhos do pintor e artista plástico dedicados ao poeta setubalense Tomás António Gonzaga, mais conhecido por Bocage. A iniciativa, organizada pela Câmara Municipal de Setúbal, integra as celebrações do centenário do nascimento de Júlio Pomar (1926‑2018) e oferece ao público uma leitura plástica do imaginário literário sadino.
Diálogo entre desenho e verso
Os trabalhos expostos foram concebidos na década de 1980, num momento em que Pomar colaborou no projeto de revestimento azulejar da estação do Alto dos Moinhos, no Metropolitano de Lisboa — iniciativa que evocava figuras canónicas da literatura e das artes portuguesas, entre as quais Bocage, Luís de Camões, Fernando Pessoa e Almada Negreiros. Os nove desenhos agora mostrados pertencem aos fundos do Atelier‑Museu Júlio Pomar e do Museu de Setúbal/Convento de Jesus.
Segundo a organização, as peças foram dedicadas a Elmano Sadino e são apresentadas em diálogo com poemas nos quais Bocage se autorretratou, sublinhando a tensão entre figura literária e representação visual. A combinação de obra gráfica e texto pretende explorar as afinidades entre a energia do verso e os gestos desenhísticos de Pomar.
Visita e informação prática
A mostra abriu ao público no sábado à tarde e disponibiliza, além dos desenhos, pequenas biografias de Bocage e de Júlio Pomar, assim como dois poemas do poeta sadino. A entrada é livre.
| Período | Local | Entrada |
|---|---|---|
| 8 de agosto a 3 de outubro de 2026 | Casa Bocage, Rua Edmond Bartisol n.º 12, 2910‑090 Setúbal | Gratuita |
Horários de visita:
- Terça a sexta: 11h00–13h00 e 14h00–18h00
- Sábados: 14h00–18h00
Contexto e significado
Exposições que cruzam artes visuais com literatura ocupam lugar central na reflexão sobre património cultural: ao reunir desenhos de Pomar relacionados com Bocage, a mostra permite retomar leituras contemporâneas do cânone português, ao mesmo tempo que realça práticas artísticas desenvolvidas na década de 1980 e a participação do artista em projetos públicos como o do metropolitano lisboeta.
Para um público mais amplo, a iniciativa oferece uma oportunidade de confronto direto com obras provenientes de dois acervos institucionais distintos, mostrando como a memória cultural se articula entre museus e espaços dedicados a escritores. A presença das biografias e dos poemas na exposição contribui para situar o visitante, transformando a visita numa experiência que combina a fruição estética com a contextualização histórica.
Programação e acesso
A mostra integra a programação cultural municipal e insere‑se nas atividades que, ao longo do ano, procuram homenagear figuras centrais do panorama cultural português. O facto de a entrada ser gratuita facilita o acesso e promove a circulação de públicos diversos pelo espaço museológico de referência local.
Os interessados em consultar as peças podem deslocar‑se à Casa Bocage dentro dos horários indicados. A exposição mantém‑se disponível até ao início de outubro, possibilitando uma visita que conjuga desenho, palavra e memória.