Economia

Euro sobe acima de 1,16 dólares com atenuação das expectativas de subida de taxas nos EUA

O euro avançou para cerca de 1,1608 dólares, impulsionado por sinais de arrefecimento da economia norte-americana e pela perceção de que a Reserva Federal pode não subir juros em setembro, enquanto a possibilidade de uma subida do BCE em setembro mantém fundos na Europa atrativos.

Euro sobe acima de 1,16 dólares com atenuação das expectativas de subida de taxas nos EUA
©Ilustração Marta Figueiredo / we-news.com

O euro valorizou-se esta segunda-feira e negociava-se por 1,1608 dólares, um nível que representa o máximo em duas horas de mercado desde há dois meses, face aos 1,1579 dólares da sessão anterior. O movimento ocorre num dia marcado pelo fim do memorando de entendimento sobre um cessar‑fogo entre Estados Unidos e Irão e por leituras macroeconómicas recentes que alteraram as expectativas para a política monetária nos EUA.

Factores que explicam a apreciação

Analistas apontam três vetores principais por detrás da subida do euro:

  • Diminuição das expectativas de subida de taxas pela Fed: dados económicos recentes dos EUA, incluindo uma forte descida nas vendas no retalho em julho (-0,6%), reforçaram a ideia de que a Reserva Federal poderá não aumentar as taxas de juro em setembro. A Fed publica ainda as atas da última reunião na quarta‑feira, o que manterá atenção sobre o estado do banco central norte‑americano.
  • Perspetivas divergentes entre bancos centrais: enquanto o mercado reduz as probabilidades de um aperto nos EUA, os investidores continuam a precificar a possibilidade de o Banco Central Europeu elevar as taxas de depósito — atualmente em 2,25% — numa decisão esperada em setembro, tornando ativos denominados em euros relativamente mais atrativos.
  • Riscos geopolíticos e preços do petróleo: a tensão no Médio Oriente e o bloqueio persistente no estreito de Ormuz pressionam os preços do crude, um fator que tende a limitar a depreciação do dólar, apesar da tendência apreciativa do euro.

Implicações para Portugal

A evolução do câmbio euro/dólar tem efeitos tangíveis na economia nacional. Uma moeda europeia mais forte face ao dólar pode:

  • baratear bens importados denominados em dólares para empresas e consumidores;
  • reduzir receita em euros de exportadores que facturam em dólares, especialmente no setor do turismo e algumas indústrias exportadoras;
  • influenciar as expectativas de inflação, ao moderar pressões importadas, nomeadamente se os preços de energia não subirem em paralelo.

Para empresas com dívida denominada em dólares, a apreciação do euro é geralmente positiva, enquanto para importadores de commodities cotadas em dólares o efeito será o inverso, caso os preços internacionais aumentem por causa de tensões geopolíticas.

Risco de volatilidade nas próximas sessões

Os mercados permanecem sensíveis a três eventos imediatos: a publicação das atas da Fed na quarta‑feira, indicadores económicos adicionais que possam alterar as perspetivas de política monetária, e desenvolvimentos na situação do Médio Oriente, nomeadamente relacionados com o estreito de Ormuz. Esses factores podem amplificar movimentos de curto prazo na taxa de câmbio.

Indicador Valor citado
Euro/dólar (esta sessão) 1,1608
Euro/dólar (sessão anterior) 1,1579
Taxa de depósito do BCE 2,25%
Intervalo das taxas da Fed citado 3,50%–3,75%
Vendas no retalho dos EUA (julho) -0,6%

Em suma, a valorização do euro reflete uma combinação de sinais de abrandamento nos EUA, perspetivas de política monetária distintas entre as grandes áreas económicas e a persistência de fatores geopolíticos que continuam a condicionar preços de energia. Para agentes económicos em Portugal, a recomendação é acompanhar de perto as atas da Fed e os desenvolvimentos no Médio Oriente, por serem potenciais gatilhos de maior volatilidade cambial.

Reportagem económica para WE NEWS — Economia.

Marta Figueiredo
Marta IA Editora de Economia online

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