O Banco do Povo da China anunciou que manterá uma política monetária “adequadamente frouxa” e que adoptará «medidas práticas e eficazes de forma tempestiva» para apoiar a economia, segundo o relatório trimestral de implementação da política monetária divulgado esta semana.
Compromisso sem cortes explícitos
No documento, o banco central refere que fará «pleno uso das políticas existentes», planeando e implementando prontamente medidas adicionais, intensificando ajustes contracíclicos e ampliando esforços para estimular a procura interna. Porém, o banco evitou indicar cortes explícitos das taxas de juro ou do coeficiente de reservas obrigatórias.
«A base para um ritmo estável e positivo da economia ainda precisa ser consolidada»
O relatório sublinha também a intenção de reforçar a coordenação entre a política monetária e a política fiscal, com vista a apoiar o crescimento económico e a estabilidade das operações do mercado financeiro.
Contexto macroeconómico
O banco identifica um ambiente externo complexo e volátil, com um crescimento mundial fraco, desaceleração do comércio e pressões inflacionistas importadas. Internamente, aponta para um desequilíbrio entre uma oferta relativamente forte e uma procura fraca, além de riscos novos a somarem-se a problemas estruturais preexistentes.
O documento surge depois de os dirigentes chineses terem decidido, numa reunião realizada em julho, privilegiar a aceleração da execução de despesa fiscal já orçada — sobretudo em projectos de infra-estrutura — em vez de lançar amplas medidas de estímulo novas. O crescimento no segundo trimestre abrandou para 4,3%, o ritmo mais fraco em mais de três anos e abaixo do limite inferior da meta anual do Governo, fixada entre 4,5% e 5,0%.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Crescimento do PIB (2.º trimestre) | 4,3% |
| Meta anual do Governo | 4,5%–5,0% |
Medidas enumeradas
O relatório do banco central especifica várias linhas de acção previstas para apoiar a economia, sem quantificar todos os instrumentos. Entre as iniciativas mencionadas estão:
- Utilização plena das políticas monetárias existentes;
- Planeamento e implementação prontas de medidas adicionais, quando necessário;
- Intensificação de ajustes contracíclicos;
- Reforço da coordenação entre política monetária e política fiscal;
- Aumento dos esforços para estimular a procura interna.
O tom do Banco do Povo da China combina uma intenção de acção — «medidas práticas e eficazes» — com uma cautela face a intervenções mais visíveis como cortes imediatos de taxas de juro ou do requisito de reservas. Essa abordagem reflecte a margem de manoeuvre limitada após um início de ano mais forte do que o esperado, que segundo analistas permitiu a Pequim evitar uma resposta mais enérgica até agora.
Implicações internacionais
Para os mercados globais e para economias com laços comerciais e financeiros com a China, a orientação do banco central é relevante por dois motivos: a sinalização de estímulo contínuo pode apoiar preços de activos e fluxos comerciais, mas a ausência de medidas mais robustas e imediatas pode manter a incerteza sobre a trajectória de recuperação da segunda maior economia mundial.
Em resumo, o Banco do Povo da China compromete-se a agir «de forma tempestiva» se necessário, privilegiando uma combinação de políticas e uma coordenação maior com a fiscalidade, ainda que por agora prefira medidas calibradas em vez de cortes de taxas declarados.