O Irão registou uma queda de 10,1% no Produto Interno Bruto no primeiro trimestre do ano persa (março a maio) em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Centro de Estatísticas do país. A contracção ocorre num contexto de conflito que se arrasta desde finais de fevereiro, com impacto pronunciado nas principais indústrias exportadoras.
Setores mais atingidos e variações registadas
O sector mais afectado foi a extração de petróleo bruto e gás natural, que sofreu uma queda de 26,4%. Seguiu‑se a indústria e a mineração, com uma redução de 14,7%. Em contraste, a agricultura foi o único grande segmento que apresentou crescimento, com um aumento de 2,3%.
Os números oficiais não detalham as causas da quebra, mas a publicação refere que a economia encolhe após o início da guerra envolvendo os Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, durante a qual setores-chave — petroquímica e siderurgia — foram alvo de ataques. Essas indústrias contribuíam, no ano anterior, com exportações avaliadas em 13 mil milhões de dólares (petroquímica) e 6 mil milhões de dólares (siderurgia).
«A situação do país entrou numa “fase muito mais difícil e perigosa” devido à guerra», declarou o presidente Masoud Pezeshkian perante o Fórum Económico dos BRICS, em Nova Deli.
Pressões macroeconómicas: inflação e desvalorização da moeda
Para além da contração do produto, o Irão enfrenta uma inflação anual muito elevada, de 89%, e uma rápida desvalorização da moeda nacional nas últimas semanas, factos que ampliam a perda do poder de compra e complicam a gestão económica.
Os ataques às infraestruturas industriais têm efeitos diretos sobre a produção, o emprego e as exportações, mas também geram efeitos secundários através de agravamento das expectativas, redução do investimento e maior custo de financiamento. A combinação de inflação elevada e moeda fraca tende a apertar as condições de vida e a elevar o custo de importações essenciais, como maquinaria e matérias‑primas.
Consequências para o comércio e para os mercados
A interrupção na produção de petróleo e nos sectores petroquímico e metalúrgico implica não só menores receitas de exportação como risco de perturbações nos mercados internacionais de energia e cadeia de fornecimento. Embora os dados não quantifiquem a perda de produção petrolífera em barris, a redução de 26,4% na extração sugere um recuo significativo nas entregas externas e na geração de divisas.
O impacto internacional dependerá da capacidade do Irão de redirecionar exportações, encontrar mercados alternativos ou recuperar capacidade produtiva. Para além disso, a situação aumenta a incerteza para parceiros comerciais e para investidores, o que pode resultar em maior aversão ao risco em setores expostos.
Resumo dos principais indicadores
| Indicador | Variação |
|---|---|
| PIB (março–maio vs. ano anterior) | -10,1% |
| Extração de petróleo e gás | -26,4% |
| Indústria e mineração | -14,7% |
| Agricultura | +2,3% |
| Inflação anual | 89% |
O que acompanhar nas próximas atualizações
- Relatórios sobre produção petrolífera em volume (barris) e receitas de exportação nos próximos trimestres.
- Informação sobre o estado das infraestruturas petroquímicas e siderúrgicas após os ataques e eventuais planos de reconstrução.
- Evolução das taxas de câmbio e medidas anunciadas pelas autoridades para conter a inflação e estabilizar a moeda.
Os dados oficiais expostos pelo Centro de Estatísticas revelam uma economia sob forte pressão. A combinação de queda acentuada na extração de hydrocarbonetos, contração industrial, inflação elevada e desvalorização da moeda traça um quadro de risco sistémico cuja evolução dependerá da duração do conflito e das respostas políticas internas e externas.