O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), Domingos Castro, afirmou nesta sexta-feira, na Cidade do Futebol, em Oeiras, que a progressão do atletismo nacional depende de condições materiais e financeiras capazes de sustentar a preparação e a competição ao mais alto nível. A intervenção ocorreu no painel «A Internacionalização do Desporto Português», integrado no Portugal Football Summit, onde se discutiram questões de governação e recursos.
Ênfase na criação de condições para os atletas
Com currículo de atleta de alto rendimento, Castro usou a sua experiência para sublinhar a proximidade com as exigências diárias impostas aos praticantes: «sei aquilo que os atletas precisam: superar todas as dificuldades, superar as dificuldades do dia a dia.» O responsável frisou que esse entendimento só tem utilidade se for acompanhado de capacidade orçamental para transformar essas necessidades em realidades tangíveis.
«Nós não conseguimos fazer nada se não estivermos financeiramente bem para proporcionar essas condições.»
Durante o painel, o presidente da FPA referiu ainda o papel do apoio público no atual momento, reconhecendo que o Estado tem dado «bons apoios», permitindo reforçar a preparação das seleções e organizar estágios internacionais que colocam os atletas em contextos adequados para competir com exigência.
Intervenientes e temas em debate
Além de Domingos Castro, integraram o painel representantes de outras instâncias do desporto nacional, o que desenhou uma discussão alargada sobre a internacionalização e a governação das modalidades.
| Nome | Função/Representação |
|---|---|
| Domingos Castro | Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo |
| Daniel Monteiro | Confederação do Desporto de Portugal |
| Miguel Viterbo Dias | Observador |
| Fernando Pimenta | Medalhado olímpico |
O alinhamento dos participantes permitiu confrontar experiências de gestão, exigências competitivas e expectativas sobre o papel das instituições públicas e privadas no apoio às federacões.
Infraestruturas, parceiros e preparação internacional
Castro apontou ainda lacunas que persistem ao nível das infraestruturas e realçou a importância de parceiros institucionais para consolidar programas de alto rendimento. Entre as medidas apontadas como essenciais estavam a manutenção de condições para estágios internacionais, que a FPA tem promovido como forma de expor atletas a ambientes de elevada exigência técnica e competitiva.
- Apoio financeiro: considerado decisivo para materializar projetos de treino e competição.
- Infraestruturas: persiste a necessidade de melhoria em alguns polos de treino.
- Parcerias: o contributo institucional e privado foi destacado como factor multiplicador.
A intervenção de Domingos Castro insere-se num debate mais amplo sobre a capacidade das estruturas do desporto português em internacionalizar-se e em oferecer trajetórias sustentáveis de formação e competição. A referência às políticas públicas traduz um reconhecimento do papel do Estado, mas também uma advertência: sem garantias de financiamento e condições materiais, as ambições de crescimento ficam condicionadas.
Num contexto em que o atletismo procura manter-se competitivo nas grandes competições, a aposta em estágios internacionais e na consolidação de apoios revela-se, na leitura da FPA, uma peça-chave para que os atletas possam traduzir potencial em resultados. O painel em Oeiras funcionou assim como termómetro do estado da governação desportiva em Portugal e como chamada à ação para reforçar meios e estruturas.