O Governo Regional dos Açores anunciou que a doença de Newcastle foi identificada em aves selvagens mortas nas ilhas da Graciosa, Terceira, Pico, São Miguel, Santa Maria e Faial. As análises laboratoriais, referidas numa resposta do executivo a um requerimento do BE, apontam especialmente para pombos e rolas como as espécies afetadas.
Deteção e respostas iniciais
Os primeiros relatos de mortalidade em pombos remontam a junho na ilha da Graciosa, segundo o documento do Governo Regional, que refere ter sido implementado um plano de vigilância e acompanhamento. As amostras enviadas para investigação específica confirmaram a presença do vírus da doença de Newcastle nas aves selvagens analisadas.
«Até à data de referência, todos os resultados concluídos relativos a amostras de pombos-da-rocha e rolas-turcas remetidas para pesquisa específica foram positivos para o vírus da doença de Newcastle.»
Em contraste, todos os testes realizados a aves de capoeira recolhidas até ao momento foram negativos para o vírus, indica o mesmo despacho. O Governo Regional sublinha que a infeção humana é rara e, geralmente, de evolução ligeira, estando associada a contacto direto com aves infetadas.
Impacto e medidas em curso
As autoridades de saúde animal mantêm medidas de vigilância nas ilhas afetadas e têm vindo a comunicar os resultados laboratoriais à medida que ficam disponíveis. O executivo garante transparência e diligência na gestão do surto, chamando atenção para o baixo risco para a população em geral, embora peça cautela na manipulação de aves mortas ou doentes.
As principais recomendações práticas, dirigidas a criadores, pescadores, serviços municipais e população em geral, incluem:
- Evitar o contacto direto com aves selvagens encontradas mortas ou com sinal de doença;
- Notificar as autoridades locais ou os serviços veterinários sobre qualquer mortalidade anormal de aves;
- Adotar medidas de biossegurança em explorações avícolas e evitar o contacto entre aves domésticas e selvagens;
- Seguir orientações oficiais sobre recolha e destino de carcaças, quando solicitadas.
Repercussões políticas e pedidos de esclarecimento
O Bloco de Esquerda/Açores deixou notar que persistem «muitas dúvidas» sobre o aparecimento anormal de aves mortas nas ilhas e pediu um novo requerimento ao Governo Regional, reclamando mais esclarecimentos sobre a investigação em curso. Entre as questões colocadas figura a necessidade de saber se houve sintomas humanos compatíveis com a doença após contacto com aves encontradas mortas e se existe monitorização genética do vírus nas diferentes ilhas.
O executivo regional tem sido informado dos resultados dos laboratórios e frisou o compromisso de atuar com rigor e lealdade institucional, transmitindo informações validadas assim que disponíveis.
Distribuição geográfica dos casos
O surto abrange seis ilhas do arquipélago, o que reforça a necessidade de coordenação entre autoridades locais e regionais para limitar a propagação entre aves selvagens e evitar impacto na avicultura.
| Ilhas | Espécies mais afetadas | Estado das análises |
|---|---|---|
| Graciosa | Pombos, rolas | Positivas |
| Terceira | Pombos, rolas | Positivas |
| Pico | Pombos, rolas | Positivas |
| São Miguel | Pombos, rolas | Positivas |
| Santa Maria | Pombos, rolas | Positivas |
| Faial | Pombos, rolas | Positivas |
O papel da insularidade
Nos Açores, onde a economia e o modo de vida são fortemente ligados ao mar, à agricultura e às pequenas explorações, a deteção de agentes infeciosos em fauna selvagem exige respostas adaptadas à realidade insular: rapidez na circulação de informação entre ilhas, logística para recolha de amostras e apoio às pequenas explorações avícolas dispersas pelo arquipélago. A experiência acumulada em surtos anteriores mostra a importância de protocolos claros e de uma comunicação eficaz para tranquilizar as populações e proteger os sectores económicos locais.
As autoridades regionais apelam à colaboração da população para a deteção precoce e o reporte de casos suspeitos, bem como ao cumprimento das instruções das entidades sanitárias, enquanto decorre a monitorização e investigação epidemiológica.