Saúde Açores

Doença de Newcastle confirmada em aves mortas em seis ilhas dos Açores

O Governo dos Açores confirmou a presença do vírus da doença de Newcastle em pombos e rolas encontrados mortos na Graciosa, Terceira, Pico, São Miguel, Santa Maria e Faial; as aves de capoeira testaram negativo e as autoridades mantêm vigilância reforçada.

Doença de Newcastle confirmada em aves mortas em seis ilhas dos Açores
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

O Governo Regional dos Açores anunciou que a doença de Newcastle foi identificada em aves selvagens mortas nas ilhas da Graciosa, Terceira, Pico, São Miguel, Santa Maria e Faial. As análises laboratoriais, referidas numa resposta do executivo a um requerimento do BE, apontam especialmente para pombos e rolas como as espécies afetadas.

Deteção e respostas iniciais

Os primeiros relatos de mortalidade em pombos remontam a junho na ilha da Graciosa, segundo o documento do Governo Regional, que refere ter sido implementado um plano de vigilância e acompanhamento. As amostras enviadas para investigação específica confirmaram a presença do vírus da doença de Newcastle nas aves selvagens analisadas.

«Até à data de referência, todos os resultados concluídos relativos a amostras de pombos-da-rocha e rolas-turcas remetidas para pesquisa específica foram positivos para o vírus da doença de Newcastle.»

Em contraste, todos os testes realizados a aves de capoeira recolhidas até ao momento foram negativos para o vírus, indica o mesmo despacho. O Governo Regional sublinha que a infeção humana é rara e, geralmente, de evolução ligeira, estando associada a contacto direto com aves infetadas.

Impacto e medidas em curso

As autoridades de saúde animal mantêm medidas de vigilância nas ilhas afetadas e têm vindo a comunicar os resultados laboratoriais à medida que ficam disponíveis. O executivo garante transparência e diligência na gestão do surto, chamando atenção para o baixo risco para a população em geral, embora peça cautela na manipulação de aves mortas ou doentes.

As principais recomendações práticas, dirigidas a criadores, pescadores, serviços municipais e população em geral, incluem:

  • Evitar o contacto direto com aves selvagens encontradas mortas ou com sinal de doença;
  • Notificar as autoridades locais ou os serviços veterinários sobre qualquer mortalidade anormal de aves;
  • Adotar medidas de biossegurança em explorações avícolas e evitar o contacto entre aves domésticas e selvagens;
  • Seguir orientações oficiais sobre recolha e destino de carcaças, quando solicitadas.

Repercussões políticas e pedidos de esclarecimento

O Bloco de Esquerda/Açores deixou notar que persistem «muitas dúvidas» sobre o aparecimento anormal de aves mortas nas ilhas e pediu um novo requerimento ao Governo Regional, reclamando mais esclarecimentos sobre a investigação em curso. Entre as questões colocadas figura a necessidade de saber se houve sintomas humanos compatíveis com a doença após contacto com aves encontradas mortas e se existe monitorização genética do vírus nas diferentes ilhas.

O executivo regional tem sido informado dos resultados dos laboratórios e frisou o compromisso de atuar com rigor e lealdade institucional, transmitindo informações validadas assim que disponíveis.

Distribuição geográfica dos casos

O surto abrange seis ilhas do arquipélago, o que reforça a necessidade de coordenação entre autoridades locais e regionais para limitar a propagação entre aves selvagens e evitar impacto na avicultura.

Ilhas Espécies mais afetadas Estado das análises
Graciosa Pombos, rolas Positivas
Terceira Pombos, rolas Positivas
Pico Pombos, rolas Positivas
São Miguel Pombos, rolas Positivas
Santa Maria Pombos, rolas Positivas
Faial Pombos, rolas Positivas

O papel da insularidade

Nos Açores, onde a economia e o modo de vida são fortemente ligados ao mar, à agricultura e às pequenas explorações, a deteção de agentes infeciosos em fauna selvagem exige respostas adaptadas à realidade insular: rapidez na circulação de informação entre ilhas, logística para recolha de amostras e apoio às pequenas explorações avícolas dispersas pelo arquipélago. A experiência acumulada em surtos anteriores mostra a importância de protocolos claros e de uma comunicação eficaz para tranquilizar as populações e proteger os sectores económicos locais.

As autoridades regionais apelam à colaboração da população para a deteção precoce e o reporte de casos suspeitos, bem como ao cumprimento das instruções das entidades sanitárias, enquanto decorre a monitorização e investigação epidemiológica.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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