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Chega/Açores exige investigação sobre alegado acesso a dados pessoais nos serviços da Segurança Social

O partido pediu averiguação e respostas ao Governo Regional depois de denunciar consultas a dados de deputados, membros de gabinete e familiares nos sistemas informáticos da Segurança Social nos Açores.

Chega/Açores exige investigação sobre alegado acesso a dados pessoais nos serviços da Segurança Social
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

O Chega/Açores solicitou hoje uma investigação aprofundada sobre alegados acessos a dados pessoais de deputados regionais, elementos dos respetivos gabinetes parlamentares e familiares, a partir dos sistemas informáticos dos serviços da Segurança Social na Região Autónoma dos Açores. O pedido foi formalizado num comunicado do partido, que já remeteu um requerimento para a Assembleia Regional exigindo esclarecimentos ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).

Denúncia e comunicação às «instâncias competentes»

Segundo o comunicado, a denúncia foi apresentada por «uma pessoa externa aos serviços da Segurança Social», o que levou o grupo parlamentar do Chega a comunicar o caso às «instâncias competentes» e a solicitar detalhes sobre a existência, legitimidade e finalidade dos acessos apontados.

O partido afirma que, até ao momento, não obteve respostas do Governo Regional e considera inaceitável o silêncio perante uma denúncia desta natureza. No requerimento entregue na Assembleia Regional, os parlamentares pedem que o Executivo esclareça vários pontos que, para o Chega, «podem implicar o apuramento de responsabilidades disciplinares, contraordenacionais e/ou criminais».

Pontos que o Chega quer ver esclarecidos

  • Quantas consultas foram efetuadas;
  • Em que datas ocorreram essas consultas;
  • Que informação foi acedida nos registos;
  • Que serviços realizaram as consultas;
  • Se existia fundamento legítimo para cada consulta;
  • Se os registos informáticos permitem identificar os utilizadores responsáveis.

Estes são os pedidos explícitos que o partido colocou ao Governo Regional, conforme o comunicado divulgado hoje.

Reacção do líder regional do Chega

«As bases de dados do Estado não podem ser utilizadas para investigar adversários políticos, devassar a sua vida privada ou procurar informação sobre os seus familiares. Se alguém utilizou o acesso privilegiado a sistemas públicos para esse fim, o caso tem de ser investigado até às últimas consequências»,

escreveu o líder do Chega nos Açores, José Pacheco, citado na nota oficial. A declaração sublinha a preocupação do partido com a possibilidade de uso indevido de sistemas públicos para fins políticos ou pessoais.

Implicações legais e institucionais

O Chega alerta para a possibilidade de implicações disciplinares, contraordenacionais e criminais caso se confirme o acesso indevido a dados pessoais. A natureza dos registos da Segurança Social — que podem incluir informação sensível sobre situações familiares, rendimentos e apoios sociais — torna a questão particularmente sensível numa região insular onde as comunidades e os laços familiares são próximos.

Além das consequências legais, eventuais falhas no controlo de acessos a bases de dados públicas podem minar a confiança dos cidadãos nas instituições regionais, sobretudo num arquipélago em que a gestão dos serviços públicos tem impacto direto em comunidades dispersas por ilhas.

O que falta saber

As perguntas colocadas pelo Chega só poderão ser respondidas por quem detém a gestão técnica e administrativa dos sistemas informáticos da Segurança Social nos Açores. Entre os elementos que aguardam resposta estão:

Assunto O que se pretende apurar
Registos de acesso Datas, horas e entidades que consultaram os dados
Conteúdo acedido Tipo de informação consultada (deputados, gabinetes, familiares)
Fundamento Motivos e legitimidade de cada consulta

O Governo Regional ainda não se pronunciou publicamente sobre o teor das alegações ou sobre medidas imediatamente tomadas para clarificar os factos. Também não foi divulgado se os serviços nacionais de segurança de dados ou outros organismos foram formalmente envolvidos além da referência a «instâncias competentes» no comunicado do partido.

Contexto insular e confiança nos sistemas públicos

Num arquipélago como os Açores, onde o relacionamento entre instituições e cidadãos se faz face a face e os serviços regionais assumem uma presença directa nas ilhas, as suspeitas de uso indevido de sistemas informáticos ganham relevância acrescida. O acesso não autorizado a dados pessoais pode atingir não só representantes políticos, mas também famílias e comunidades que dependem de apoios e serviços públicos.

O desfecho deste caso vai depender da capacidade das entidades competentes em esclarecer rapidamente os factos e em apresentar resultados sólidos, de forma a repor a confiança pública e, se for caso disso, responsabilizar os eventuais responsáveis.

Até que essas respostas sejam públicas, a Assembleia Regional tem na agenda do debate político um pedido formal de esclarecimento apresentado pelo Chega, que exige do Governo explicações detalhadas sobre a matéria.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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