A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) manifestou-se esta terça-feira preocupada com o «agravamento da intolerância» e condenou os ataques registados a 8 de agosto na província do Uíge, que provocaram 31 feridos, dez dos quais em estado grave. O pronunciamento, subscrito pelo líder da CEAST, Dom José Manuel Imbamba, apela ao apuramento de responsabilidades e a uma alteração do comportamento político que privilegie a cidadania.
Condenação e apelo ao apuramento de responsabilidades
Em comunicado e declarações públicas, Dom José Manuel Imbamba classificou os acontecimentos no Uíge como motivo de «preocupação» perante «índices de violência que vão crescendo» e advertiu que a violência não pode ser uma bandeira, 50 anos depois da independência do país. A CEAST exige esclarecimentos sobre as circunstâncias dos incidentes e sobre a atuação das forças de segurança, pedidos que têm sido reiterados por várias forças políticas e setores da sociedade angolana.
«Estamos preocupados com os índices de violência que vão crescendo. Nós não podemos advogar qualquer tipo de violência, qualquer tipo de intolerância, qualquer tipo de situação que ameace a paz ou convívio social.»
Apelo à mudança da cultura política
O líder da Igreja Católica sublinhou que a atual cultura política privilegia a formação de militantes em detrimento da formação de cidadãos, o que, na sua opinião, alimenta a intolerância e a inimizade. Dom Imbamba defendeu que a diversidade de ideias deve ser encarada como um «bem» e não como algo a eliminar, e que os atores políticos precisam aprender a viver com as diferenças para consolidar a paz social.
- Incidente: ataques contra militantes da UNITA no Uíge, em 8 de agosto.
- Vítimas: 31 feridos, dos quais 10 em estado grave.
- Reação institucional: CEAST exige apuramento de responsabilidades e mudança de cultura política.
Contexto e possíveis consequências
Os apelos da CEAST inserem-se num quadro de crescente atenção internacional e nacional às tensões políticas em Angola, onde disputas entre forças políticas e episódios de violência têm repercussões na coesão social. A exigência de esclarecimentos sobre a ação das forças de segurança, colocada pela Igreja e por partidos políticos, pode conduzir a investigações formais e a pressão por maior responsabilização institucional.
Uma mudança de «cultura política», como propõe Dom José Manuel Imbamba, implica medidas de longo prazo em educação cívica e práticas partidárias, bem como reformas que promovam maior tolerância e respeito pela diversidade de opiniões. Sem iniciativas credíveis nesse sentido, a recorrência de episódios semelhantes pode agravar a desconfiança entre cidadãos e instituições e fragilizar o convívio social.
| Indicador | Quantidade |
|---|---|
| Total de feridos | 31 |
| Feridos em estado grave | 10 |
| Data do incidente | 8 de agosto |
Repercussão política e papel da sociedade civil
A CEAST, enquanto instituição com elevado prestígio social em Angola, desempenha um papel de monitor e mediador moral nestes episódios. O seu apelo ao apuramento de responsabilidades reforça as vozes que pedem transparência sobre a atuação das autoridades e maior protecção dos direitos políticos e cívicos. A eficácia desses apelos dependerá, em grande parte, da resposta das instituições do Estado e da capacidade dos partidos políticos em promover um diálogo que evite a escalada de violência.
Até ao momento, não foram divulgados pela CEAST detalhes adicionais sobre eventuais medidas a curto prazo ou denúncia de responsáveis concretos. As autoridades locais e os partidos envolvidos deverão, nas próximas horas e dias, prestar esclarecimentos públicos sobre as circunstâncias do ocorrido e sobre eventuais investigações em curso.
O episódio no Uíge e a reação da Igreja Católica sublinham a fragilidade de um debate político que, segundo a CEAST, precisa de ser reposicionado em torno da cidadania e do respeito pela pluralidade das ideias para assegurar a paz e o convívio social.