Brigadas indígenas que atuam na prevenção e no combate a incêndios florestais estão a receber formação e equipamentos eletrónicos para integrar práticas tradicionais com tecnologia contemporânea. A iniciativa, conduzida pela Fundação Bunge em parceria com o Ibama, inclui a entrega de drones, computadores, tablets e «salas de situação» móveis com sistemas de georreferenciação.
Capacitação e logística móvel
O projeto prevê capacitar e equipar brigadas indígenas em cinco unidades federativas — Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Maranhão e Tocantins — para a condução de operações, incluindo queimadas prescritas, como forma de reduzir o risco de incêndios descontrolados. Segundo a diretora-executiva da Fundação Bunge, já foram treinadas 24 brigadas; a meta é alcançar 40 até 2029, o ano final do programa.
Além dos equipamentos individuais, o projeto doa ao Ibama estruturas de apoio à decisão — as chamadas «salas de situação» — adaptadas para serem transportadas entre territórios. A ideia é aproximar dos locais de ocorrência uma capacidade de coordenação que, até então, estava centralizada em Brasília.
«Lá na sede do Ibama, em Brasília, tem uma sala de situação muito bem montada, mas ela só existe em Brasília... conseguimos adaptar a sala com aqueles equipamentos de última geração em cases para que pudessem ser transportados para diferentes regiões», disse Cláudia Buzzette Calais, diretora-executiva da Fundação Bunge.
Dados do programa e alcance
O investimento previsto para os cinco anos do projeto é de aproximadamente R$ 1,5 milhão. Até ao momento foram entregues três «salas de situação» móveis, com objetivo de atingir sete. O Ibama, através do Prevfogo, integra a parceria técnica e participa na capacitação e na utilização das plataformas em operações locais.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Brigadas treinadas | 24 (meta: 40 até 2029) |
| Salas de situação móveis entregues | 3 (meta: 7) |
| Investimento previsto | R$ 1,5 milhão em cinco anos |
| Estados envolvidos | Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Maranhão e Tocantins |
Convergência entre saberes e tecnologia
O projeto aposta na complementaridade entre o conhecimento tradicional indígena sobre o território — incluindo técnicas de fogo controlado — e ferramentas digitais como drones e georreferenciação. Esses recursos permitem monitorizar áreas, mapear frentes de fogo e coordenar resposta em tempo real, reforçando operações como as queimadas prescritas acompanhadas pela reportagem no mês de maio na Terra Indígena Xerente, em Tocantins.
Do ponto de vista operativo, a transferência de tecnologia para brigadas indígenas inclui formação para operar equipamentos e gerir informações em «salas de situação» temporárias, que funcionam como centros de comando locais. Marco Borges, analista ambiental do Prevfogo no Ibama, aponta para a função destas salas na reunião de especialistas e no apoio à tomada de decisões durante episódios de incêndio.
Consequências para a gestão do fogo
A aproximação de centros de coordenação aos territórios pretende colmatar falhas de comunicação e tempo de resposta verificadas em episódios passados. A Fundação Bunge recorda que, em 2024, a dimensão dos incêndios e a dispersão dos focos evidenciaram dificuldades na articulação entre a sede do Ibama e as áreas afetadas.
Ao combinar práticas locais com tecnologia móvel e formação técnica, o projeto visa reduzir a vulnerabilidade das comunidades e aumentar a eficácia das operações de prevenção e combate. A expansão prevista até 2029 determinará, no entanto, se os ganhos de capacidade operacional se traduzem em redução sustentada de incêndios nas regiões cobertas.
- Integração de saberes tradicionais com tecnologia de monitorização.
- Descentralização de centros de decisão através de salas de situação móveis.
- Meta de expandir brigadas e equipas até 2029 com investimento privado em parceria pública.
O desfecho do projeto e a sua capacidade de resposta a grandes episódios de incêndio dependerão da continuidade do financiamento, da manutenção dos equipamentos e da articulação entre comunidades indígenas, o Ibama e outros atores locais.