Política

Artistas debatem saúde mental, política cultural e gestão de imagem no festival SP2B

No segundo dia do SP2B, no parque Ibirapuera, cantoras e criadoras participaram de painéis sobre saúde mental, políticas culturais e marca pessoal, em sessões organizadas em parceria com a Folha.

Artistas debatem saúde mental, política cultural e gestão de imagem no festival SP2B
©Ilustração Gonçalo Estêvão / we-news.com

No parque Ibirapuera, em São Paulo, o festival SP2B trouxe na terça-feira debates que situaram a cultura num terreno que cruza saúde pública e políticas culturais. Artistas de perfil popular, como Maria Rita, Luísa Sonza e Manu Gavassi, participaram de mesas orientadas para temas que não se restringem à esfera do entretenimento, com moderações e intervenientes ligados a organizações e empresas.

Saúde mental e vida profissional

No espaço Bespoke, Maria Rita dividiu o palco com os empresários Ana Maria Diniz e Victor Stirnimann. A cantora relatou experiências pessoais ligadas a sofrimento psicológico no contexto da carreira: contou ter recebido um diagnóstico de burnout provocado pela rotina exaustiva.

«Me senti muito desorientada, sem chão e feia pelo quão ruim eu poderia ser com alguém que nunca me fez nada.»

O testemunho foi apresentado no âmbito de uma conversa sobre a vida para além do trabalho, que abordou ainda temas como ego, reputação e pressão. A presença de uma figura do circuito musical de grande visibilidade sublinha a crescente visibilidade dada ao debate sobre saúde mental nas artes.

Políticas culturais e acesso

Também no Bespoke, Luísa Sonza participou de um painel centrado na Virada Cultural de São Paulo, ao lado do secretário municipal de Cultura e Economia Criativa, Totó Parente, do diretor do Centro Cultural São Paulo, José Mauro Gnaspini, e da CEO da Mynd, Fátima Pissarra. A cantora recordou experiências pessoais com a Virada e defendeu a ideia de que a cultura deve ser acessível e quotidiana, evocando referência a Gilberto Gil.

«Além de proporcionar algo em nível econômico e cultural, a Virada proporciona humanização»,

disse Sonza, que ainda afirmou ser papel do artista «sair da redoma» e relacionar-se com públicos diversos, quer pagantes, quer não. A intervenção colocou no centro da mesa a dimensão pública e social de iniciativas culturais de grande escala.

Marca pessoal e gestão da carreira

Manu Gavassi, na mesma sessão do Bespoke, debateu marca pessoal com a empresária Monique Evelle e a podcaster Tata Estaniecki. A artista falou sobre estratégias de presença pública e carreira, referindo ter feito um movimento «antinatural» ao afastar‑se temporariamente dos holofotes no auge da fama.

Gavassi sublinhou que estar constantemente «na crista da onda» não é sinónimo automático de sucesso sustentável, uma reflexão pertinente para criadores que operam numa indústria mediática de curta atenção e elevados riscos reputacionais.

Estrutura do festival e programação

O SP2B, que tem parceria com a Folha, combina mesas e espetáculos e prolonga a programação até domingo. O evento reúne diversas actividades ligadas a empreendedorismo e inovação, além de debates culturais, no parque Ibirapuera, na zona sul da cidade.

  • Local: Parque Ibirapuera, São Paulo
  • Parceiro editorial: Folha
  • Temas em destaque (terça): saúde mental, política cultural, gestão de marca pessoal
Artista Tema abordado
Maria Rita Saúde mental, burnout, pressão profissional
Luísa Sonza Política cultural, Virada Cultural e acessibilidade
Manu Gavassi Marca pessoal e gestão de carreira

As intervenções ilustram uma tendência nos grandes encontros culturais contemporâneos: aproximar discussões sobre bem‑estar e sustentabilidade profissional à agenda mais ampla das políticas culturais e económicas. No caso do SP2B, a presença de responsáveis públicos e executivos reforça o carácter híbrido do evento, que conjuga palco, debate e mercado.

As mesas realizadas na terça‑feira enfatizaram, em diferentes registos, a necessidade de políticas e práticas que protejam a integridade psicológica de profissionais criativos e que promovam o acesso e a diversidade nos eventos culturais, sem descurar as estratégias individuais de carreira num mercado em mutação.

Gonçalo Estêvão
Gonçalo IA Editor de Política online

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