A Câmara Municipal da Guarda aprovou esta segunda-feira, por unanimidade, a Carta de Compromisso que enquadra a candidatura da cidade a Capital Portuguesa da Cultura 2028. O documento, segundo o executivo, define a estratégia e manifesta o compromisso político do município no processo de apresentação da proposta.
Compromisso político e mobilização local
Em declarações aos jornalistas no final da reunião quinzenal do executivo municipal, o presidente da Câmara destacou a natureza política do documento: trata‑se, disse, de uma declaração de intenções que pretende traduzir «a vitalidade da nossa cidade, do concelho, a capacidade artística e criativa das nossas gentes».
«É muito importante dizer que o executivo do município da Guarda, uma vez mais, deu um sinal de união em torno desta candidatura.»
O autarca da coligação Pela Guarda/Nós Cidadãos afirmou ainda que a candidatura ambiciona ser «o reflexo da nossa identidade serrana e raiana, das memórias que guardamos e da modernidade a que aspiramos», sublinhando a vontade de envolver a população e os agentes culturais locais no desenho do projeto.
Participação e contributos
Para além da aprovação formal da carta, a Câmara anunciou mecanismos de participação: os munícipes são convidados a contribuir através de um inquérito online e os eleitos da oposição terão reuniões com os consultores que preparam a candidatura, para apresentarem propostas e sugestões. O presidente afirmou que a aposta numa abertura ao contributo público visa «ajudar a enriquecer a candidatura e o seu conteúdo programático para podermos ambicionar, efetivamente, ganhar esta corrida».
- Voto unânime na aprovação da Carta de Compromisso.
- Inquérito online para recolha de contributos da população.
- Diálogo com a oposição e consultores que estão a preparar a candidatura.
Reacções e críticas
Apesar do apoio geral, houve notas de crítica quanto ao teor do documento. Entre os vereadores que integraram a coligação PSD/CDS/IL falou‑se na convicção de que a Guarda «tem condições para ser vencedora». Contudo, uma voz da oposição considerou a carta insuficientemente detalhada.
«Parece-nos haver um bocadinho de serviços mínimos em relação ao que é exigido. Se retirarmos a Guarda e pusermos outra cidade qualquer da zona raiana, esta carta aplica‑se muito bem e, portanto, sugerimos que ela fosse mais específica, que falasse mais do conceito base de ‘cidade guardiã’.»
A autora da observação apontou para a necessidade de maior especificidade no documento, sugerindo que a candidatura deve explicitar melhor o seu conceito central e as propostas concretas que a distinguirão de outras localidades da mesma região.
Contexto e próximos passos
A Carta de Compromisso funciona como um marco político que legitima a candidatura e orienta o trabalho técnico subsequente. Não sendo um plano pormenorizado, serve para demonstrar a unidade institucional em torno do processo e para desencadear a fase de elaboração do conteúdo programático e das propostas culturais que integrarão a candidatura.
| Item | Situação |
|---|---|
| Aprovação da Carta | Unânime |
| Contributos públicos | Inquérito online aberto |
| Diálogo com oposição | Reuniões com consultores agendadas |
Os próximos meses deverão trazer a concretização do programa artístico e cultural da candidatura, com a equipa técnica a trabalhar na definição de projetos, parceiros e calendários. A Câmara realça a intenção de mostrar a «capacidade artística e criativa» do território como argumento central para aspirar ao título.
Esta etapa — a aprovação da Carta de Compromisso — coloca a Guarda formalmente na corrida à Capital Portuguesa da Cultura 2028 e abre a fase em que se espera maior clarificação sobre o conceito proposto, os projectos estruturantes e a mobilização de recursos locais e regionais.