A Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) afirma que um investimento adicional de 10 euros por aluno, por ano, pode potenciar a promoção de hábitos alimentares mais saudáveis nas escolas. A conclusão surge de um projeto‑piloto do programa Heróis da Fruta e será apresentada na conferência que assinala os 15 anos da iniciativa, a realizar no dia 10 de setembro, no Auditório do Metro de Lisboa, em Alto dos Moinhos.
Resultados do projeto‑piloto e âmbito da apresentação
O projeto experimental, desenvolvido no último ano letivo em todas as escolas da freguesia da Ajuda, em Lisboa, testou uma versão otimizada do método do programa. Os dados, elaborados em parceria com o Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (ISAMB/FMUL), apontam para um aumento significativo da eficácia quando se aloca um pequeno montante adicional por criança.
A conferência, intitulada «15 Anos a Inspirar Escolas Mais Saudáveis», reunirá especialistas e responsáveis de várias instituições para discutir os resultados, as estratégias de intervenção e as formas de escalonar o programa a nível local e nacional. Entre os convidados estão representantes da Direção‑Geral da Saúde e académicos especializados em obesidade e saúde pública.
Intervenientes e tema central
Para a APCOI, o passo seguinte passa por envolver as autarquias na implementação mais ampla do programa. O presidente da associação, Mário Silva, sublinha que, depois de uma década e meia de experiência, existe evidência sobre o que funciona e sobre o custo das intervenções, mas que a expansão depende do comprometimento dos municípios.
«Ao fim de 15 anos sabemos o que funciona nas escolas em Portugal e quanto custa. O que falta agora é escala, e esse crescimento só se faz com as autarquias», afirmou Mário Silva.
Na conferência estarão presentes, entre outros, Maria João Gregório (Direção‑Geral da Saúde), José Silva Nunes (Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade), Santi F. Gómez (Gasol Foundation) e José Camolas (Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa).
Implicações políticas e de saúde pública
Os organizadores defendem que um acréscimo financeiro modesto por aluno pode traduzir‑se numa maior disponibilidade de frutas e vegetais, em ações de educação alimentar mais consistentes e em melhores resultados a longo prazo na prevenção da obesidade infantil. A APCOI aponta ainda para a necessidade de redução das desigualdades em contexto escolar, propondo que o apoio possa ser orientado para territórios e escolas com maior vulnerabilidade socioeconómica.
- Evento: conferência «15 Anos a Inspirar Escolas Mais Saudáveis» — 10 de setembro;
- Proposta de financiamento adicional: 10 euros por criança, por ano;
- Local de teste: todas as escolas da freguesia da Ajuda (Lisboa); parceiros científicos: ISAMB/FMUL.
| Métrica | Valor noticiado |
|---|---|
| Duração do programa | 15 anos |
| Investimento adicional proposto | 10 euros por criança/ano |
Os resultados do estudo piloto na Ajuda serão detalhados durante a conferência, incluindo as metodologias utilizadas para medir o consumo de frutas e vegetais e as alterações nos comportamentos alimentares dos alunos. A APCOI afirma que a evidência reunida permite calcular com alguma precisão o custo da intervenção e identificar elementos replicáveis noutros contextos.
Para além da dimensão financeira, a discussão pública prevista na conferência deverá abordar o papel das escolas, das famílias e das políticas locais na promoção de ambientes alimentares mais saudáveis. A apresentação pretende ainda debater formas de integração do programa nas políticas municipais e a articulação com programas de educação para a saúde já existentes.
Ao insistir na necessidade de participação das autarquias, a APCOI coloca no centro do debate a questão da descentralização das políticas de prevenção: sem o empenho local das câmaras e juntas, as intervenções podem permanecer concentradas em experiências-piloto, sem alcançar uma cobertura nacional capaz de reduzir desigualdades e impactar de forma sustentada os índices de obesidade infantil.
Os resultados e recomendações que emergirem do encontro serão relevantes para decisores políticos, profissionais de saúde, educadores e entidades locais responsáveis pela implementação de políticas públicas nas escolas.