Nova sede em Ponta Delgada serve de palco para aviso sobre sustentabilidade do turismo
As novas instalações da AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) em Ponta Delgada foram inauguradas esta semana, numa cerimónia que serviu também para a direção nacional da associação lançar um alerta sobre fragilidades que afetam o arquipélago. Segundo o presidente da AHRESP, os Açores enfrentam «um problema com acessibilidades aéreas e com o preço das viagens e que há uma quebra de rendimentos» no setor.
A intervenção da associação nacional acontece num momento de preocupação alargada com a evolução do turismo e do transporte aéreo nos Açores: notícias recentes apontam para uma redução no número de passageiros desembarcados e para uma quebra no desempenho do setor turístico que já se prolonga por vários meses. Para uma região insular e tão dependente do movimento de visitantes, a combinação de custos elevados de deslocação e menor procura tem implicações imediatas para hotéis, restaurantes, alojamentos locais e para a economia informal ligada ao turismo.
«Os Açores enfrentam um problema com acessibilidades aéreas e com o preço das viagens e que há uma quebra de rendimentos»
Durante a inauguração, a AHRESP sublinhou que a capacidade de atração e retenção de turistas passa inevitavelmente pela acessibilidade ao arquipélago. O arquipélago, cuja economia depende fortemente do fluxo de pessoas entre o continente, outras ilhas e mercados internacionais, vê assim condicionada a sua recuperação quando os custos e a oferta de ligações aéreas se tornam obstáculos.
Consequências locais e desafios para as pequenas empresas
Em Ponta Delgada, como noutras localidades açorianas, o tecido económico é composto maioritariamente por micro e pequenas empresas que sentem rapidamente a variação da procura turística. A redução de rendimentos no setor traduz-se em menor circulação económica, impactando serviços, fornecedores locais e postos de trabalho sazonais. A AHRESP enfatiza que a questão das acessibilidades não é apenas logística, mas também económica e social, afetando a coesão e a sustentabilidade das populações insulares.
- Acessibilidades aéreas: oferta e frequência de ligações influenciam diretamente a procura.
- Preço das viagens: aumenta o custo da deslocação para moradores e visitantes, reduzindo competitividade.
- Queda de rendimentos: setor turístico e restauração registam diminuição nas receitas.
Além do impacto direto no alojamento e restauração, a pressão sobre os custos de deslocação prejudica também a mobilidade dos residentes, que dependem do transporte aéreo para contactos com o continente, serviços de saúde especializados e ligação inter-ilhas. A AHRESP coloca a questão como central para políticas públicas que promovam conectividade mais acessível e sustentável.
Apelo por políticas e medidas específicas
A inauguração das instalações serviu de plataforma para um apelo implícito à formulação de medidas que reforcem a competitividade dos Açores como destino. Embora a AHRESP não detalhe aqui propostas concretas, os temas mencionados — oferta de ligações, preços das viagens e a necessidade de recuperar rendimentos do setor — remetem para áreas de intervenção pública e privada conjuntas, incluindo modelos tarifários, incentivos à aviação, campanhas de promoção e apoio a empresas locais.
Para uma região insular, onde o mar e o céu são vias essenciais de ligação ao exterior, qualquer alteração nas condições de transporte ou na procura turística tem repercussões amplas. Em Ponta Delgada, a voz da AHRESP ecoa nas esplanadas, nas cozinhas e nas pequenas unidades de alojamento que dependem do fluxo de visitantes para atravessar os meses de menor procura.
As novas instalações em Ponta Delgada pretendem ser também um ponto de contacto mais próximo entre a associação e as empresas locais, reforçando a presença institucional no arquipélago e facilitando o acompanhamento das dificuldades sentidas pelo setor nas ilhas.
| Assunto | Impacto referido |
|---|---|
| Acessibilidades aéreas | Redução da procura turística |
| Preço das viagens | Perda de competitividade |
| Queda de rendimentos | Pressão sobre empresas locais |
O alerta lançado na inauguração pode acelerar o diálogo entre operadores, autoridades regionais e nacionais, e os parceiros do setor. Para Ponta Delgada e para os Açores em geral, a discussão sobre como garantir ligações mais acessíveis e a sustentabilidade do turismo continua a ser uma prioridade urgente.