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AHRESP alerta para perda de voos e aumento de custos que pressionam turismo nos Açores

A associação da hotelaria e restauração sublinha que a saída de capacidade aérea provocou uma queda nos desembarques e nas dormidas, pedindo recuperação de lugares, novas rotas e tarifas mais competitivas para mitigar o efeito da insularidade.

AHRESP alerta para perda de voos e aumento de custos que pressionam turismo nos Açores
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

Ponta Delgada — A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) lançou um alerta sobre os efeitos da redução da oferta aérea e do custo das viagens no desempenho do turismo nos Açores. Na cerimónia de inauguração da nova sede da associação em Ponta Delgada, foram apresentados números que demonstram um abrandamento da procura e das dormidas, e a entidade apelou a medidas que viabilizem uma resposta sustentada à insularidade.

Queda de passageiros e dormidas

Segundo a AHRESP, a diminuição da capacidade aérea — consequência, entre outros fatores, da saída da Ryanair do mercado regional — traduziu-se numa redução de 10% nos desembarques de passageiros e numa queda de 8,3% nas dormidas do mercado nacional no primeiro semestre de 2026. Estes dados foram usados para sublinhar o impacto direto da conectividade na actividade dos estabelecimentos hoteleiros e da restauração.

Em ilhas com economia fortemente dependente do turismo, como é o caso dos Açores, a oferta de ligações aéreas e a manutenção de tarifários acessíveis são condicionantes centrais da sazonalidade e da viabilidade económica de muitos negócios.

Pedidos e medidas defendidas

A AHRESP propõe, de forma imediata, a recuperação de lugares perdidos, a atração de novas rotas e a promoção de tarifas mais competitivas ao longo de todo o ano. A associação vinca que estas medidas não só aliviam a pressão sobre os empresários, como contribuem para uma oferta turística mais regular e para a redução da sazonalidade, um problema recorrente nas ilhas.

  • Recuperar capacidade aérea perdida;
  • Captar rotas novas e diversificar mercados emissivos;
  • Promover tarifas estáveis e acessíveis durante todo o ano.

Impacto nas empresas locais

Os responsáveis da associação alertaram para a confluência de factores que agravam a situação: além da menor oferta de voos, os empresários enfrentam já o aumento dos custos de exploração. Para unidades de alojamento e de restauração insulares, a redução de turistas traduz-se rapidamente em queda de receitas, com efeitos em emprego e capacidade de investimento.

Num arquipélago em que muitas actividades estão condicionadas pelo custo e frequência das ligações marítimas e aéreas, qualquer alteração significativa das rotas tem repercussões amplas, desde fornecedores locais até serviços turísticos complementares.

Contexto da inauguração e iniciativas complementares

A tomada de posição da AHRESP coincidiu com a abertura da sua nova sede em Ponta Delgada, onde também foi apresentada a Rota Nacional das Cozinhas do Mar. A iniciativa aponta para uma aposta na promoção do produto local e nas potencialidades gastronómicas das ilhas como factor de atração, mas a associação frisou que estas estratégias precisam de ser acompanhadas por melhores acessibilidades para serem eficazes.

Indicador Variação (1.º semestre 2026)
Desembarques de passageiros -10%
Dormidas (mercado nacional) -8,3%

Consequências para a insularidade

A insularidade acentua a sensibilidade das ilhas a flutuações de oferta aérea: quando a capacidade diminui, os custos por viagem tendem a aumentar e a procura fragmenta-se. Menos voos implicam também menor flexibilidade para residentes e visitantes, afectando desde o turismo de lazer até deslocações profissionais e o abastecimento de serviços.

Na intervenção pública durante a inauguração, os responsáveis da AHRESP apelaram ainda à articulação entre entidades regionais e operadores para evitar que decisões comerciais de curto prazo comprometam a sustentabilidade do destino a médio prazo.

O que esperam os empresários

Os hoteleiros e restauradores procuram medidas que garantam previsibilidade e competitividade nas ligações com o continente e com mercados emissores relevantes. Para muitos, a recuperação de lugares e a diversificação de rotas são vistas como essenciais para recuperar rendimentos perdidos nos últimos meses e para assegurar uma actividade menos concentrada apenas nos meses de verão.

Enquanto se esperam respostas das companhias e das autoridades, empresários locais terão de ajustar planos de capacidade e promoção, procurando alternativas para minimizar o impacto de uma oferta aérea reduzida.

Por Micaela Medeiros, correspondente nos Açores

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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