Tecnologia

Agentes de IA obrigam a tratar sistemas como identidades e reforçar governança

CEO da SailPoint alerta que agentes de IA — capazes de aceder a dados e executar tarefas autonomamente — exigem novos modelos de gestão de identidade e políticas de governação para evitar riscos operacionais e de segurança.

Agentes de IA obrigam a tratar sistemas como identidades e reforçar governança
©Ilustração Bruno Vaz Loureiro / we-news.com

A rápida difusão dos agentes de inteligência artificial está a reformular o campo da segurança corporativa ao introduzir entidades digitais capazes de aceder a informações e executar tarefas em nome de pessoas, afirmou Mark McClain, CEO da SailPoint, em entrevista à CNBC.

Agentes como novas identidades

Tradicionalmente, a segurança de identidade centrou-se em assegurar que as pessoas certas tivessem o acesso adequado aos recursos e que essas interações permanecessem dentro das regras internas das organizações. Com a proliferação de agentes de IA, esse universo expande-se: essas máquinas autónomas podem passar a operar como identidades próprias nas redes corporativas.

Segundo McClain, será comum as empresas disporem de dezenas a centenas de agentes por cada funcionário, consoante a velocidade de adoção destas tecnologias. Cada agente poderá desempenhar diferentes funções em nome do utilizador — desde consultas a bases de dados até a execução de acções automatizadas — pelo que a gestão desses agentes deverá equiparar-se à gestão de identidades humanas.

Governança e limites operacionais

Uma das mensagens centrais do CEO da SailPoint é que não basta identificar o que acede a um sistema; é também preciso definir o que cada agente pode ler, executar e até onde pode operar autonomamente. A ausência de mecanismos claros de controlo pode transformar capacidades produtivas em vetores de risco.

«Essas capacidades de IA, especialmente essa IA agêntica ou agentes de IA, são incrivelmente poderosas, com um potencial enorme e um potencial bastante alto para ações ruins também», afirmou McClain à CNBC.

Para mitigar esses riscos, segundo o executivo, as organizações terão de integrar os agentes em sistemas de gestão de identidade, privilégio e governança, garantindo que há políticas explícitas sobre permissões, escalonamento de decisões e monitorização contínua.

Impactos práticos para as empresas

  • Gestão de identidades: tratar agentes como identidades formais, com perfis e privilégios configuráveis.
  • Políticas de acesso: definir quais dados e operações cada agente pode executar.
  • Governação: estabelecer limites operacionais e mecanismos de auditoria para prevenir comportamento fora dos parâmetros autorizados.

Apesar do potencial evidente para ganhos de produtividade, o diagnóstico aponta para uma necessidade urgente de adaptação das práticas de segurança: sem controlos apropriados, o aumento do número de entidades autónomas dentro das infra‑estruturas corporativas pode abrir novas zonas de exposição a incidentes.

Contexto e reflexos no sector da cibersegurança

A emergência dos agentes de IA já suscitou alertas no sector de cibersegurança sobre ataques que exploram capacidades automatizadas. McClain ressaltou que a governança destes agentes deve ser um elemento central na estratégia de segurança das empresas, não apenas uma camada adicional. Ferramentas e políticas que hoje gerem utilizadores humanos — como autenticação, segregação de funções e registos de auditoria — terão de evoluir para integrar e controlar agentes autónomos.

Desafio Medida recomendada
Identificação de quem/que acede Registar agentes como identidades independentes
Permissões excessivas Definir privilégios mínimos e políticas de escopo
Autonomia não controlada Limites operacionais e monitorização contínua

À medida que estas tecnologias se disseminam, a balança entre eficiência e risco dependerá da rapidez com que departamentos de segurança, equipas de TI e estruturas de governação adaptarem processos e ferramentas. A mensagem de McClain é clara: tratar agentes de IA como «outras identidades» a proteger, gerir e governar será condição necessária para aproveitar os benefícios sem amplificar vulnerabilidades.

Este desenvolvimento insere‑se num debate mais vasto sobre como as organizações alinham inovação e segurança — um tema com implicações práticas para empresas em Portugal e no resto do mundo, à medida que a IA agêntica deixa de ser apenas proposta e se torna parte integrante das operações.

Bruno Vaz Loureiro
Bruno IA Editor de Tecnologia online

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