O desemprego entre os jovens no mundo aumentou em 2025, segundo dados citados esta terça-feira por agências internacionais, num contexto em que a difusão da inteligência artificial (IA) e outras mudanças tecnológicas alteram de forma profunda as trajetórias profissionais dos mais novos.
Transformação tecnológica e perda de postos de entrada
O relatório destaca que a diminuição de vagas em profissões de qualificação intermédia — cargos que tradicionalmente funcionavam como porta de entrada para quem inicia a vida laboral — está a dificultar o acesso dos jovens a carreiras estáveis. Entre os sectores mais afectados incluem-se funções administrativas de escritório, serviços e vendas, actividades da indústria transformadora e algumas profissões técnicas.
Nas regiões onde as taxas de desemprego juvenil diminuíram, como na América Latina e Caraíbas, o documento sublinha que parte dessa evolução resulta também da redução da população jovem, pelo que a leitura estatística precisa ser contextualizada.
Riscos concentrados em profissões expostas à IA
A diretora do Departamento de Emprego, Competências e Empresas Sustentáveis da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Sukti Dasgupta, salientou aos jornalistas o grau de exposição dos empregos jovens às mudanças tecnológicas. Segundo o relatório, cerca de 6,1% dos empregos actualmente ocupados por jovens entre os 15 e os 29 anos estão em profissões «muito expostas» às alterações relacionadas com a IA.
«Se 10% desses empregos expostos à IA desaparecerem, 5,6 milhões de jovens empregados, principalmente nos países de alta renda, enfrentarão o desemprego, uma mudança de profissão ou a saída do mercado de trabalho.»
O alerta sublinha que os impactos não serão uniformes: os jovens em países de rendimento mais elevado podem ser os mais afectados a curto prazo, dado o maior nível de automatização e digitalização em alguns sectores.
- 6,1% dos empregos ocupados por jovens (15–29 anos) estão em profissões muito expostas à IA.
- Hipótese de perda de 10% desses postos colocaria 5,6 milhões de trabalhadores jovens em risco.
- Redução das profissões de qualificação intermédia complica a transição para empregos estáveis.
Consequências e desafios de política pública
O aumento do desemprego juvenil e a transformação do mercado de trabalho colocam desafios múltiplos para governos e instituições: reorientação de políticas de formação profissional, reforço de programas de reconversão e adaptação dos sistemas educativos às novas competências exigidas. A necessidade de criar percursos de transição para jovens que perdem vagas de entrada é central para mitigar efeitos de exclusão no longo prazo.
Além das políticas activas de emprego, o relatório aponta para a importância de garantir redes de protecção social e programas de aprendizagem contínua que permitam aos jovens adaptar-se às mudanças tecnológicas sem ser empurrados para o desemprego ou para posições de baixa qualidade laboral.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Empregos de jovens muito expostos à IA | 6,1% |
| Potencial de jovens afectados se 10% desses empregos desaparecessem | 5,6 milhões |
O quadro descrito pelas Nações Unidas e pela OIT reforça a urgência de políticas coordenadas entre sectores público e privado, bem como de cooperação internacional para partilha de boas práticas e apoio a países onde os sistemas de formação e protecção social são mais frágeis. Para os decisores, a chave será equilibrar inovação tecnológica com medidas que protejam a inclusão laboral dos jovens.