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Açores entre regiões que registam abrandamento do turismo no primeiro semestre de 2026

Indicadores do INE apontam para uma desaceleração do consumo turístico em Portugal e quedas de ocupação e rendimento em regiões como os Açores e Lisboa, enquanto Porto e Norte crescem.

Açores entre regiões que registam abrandamento do turismo no primeiro semestre de 2026
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

Os Açores constam entre as regiões portuguesas que sofreram uma redução nas taxas de ocupação no primeiro semestre de 2026, num panorama nacional marcado por sinais de abrandamento do turismo e por alterações de rendibilidade em segmentos como o alojamento local.

Dados nacionais com repercussão insular

Segundo estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgadas recentemente, o consumo turístico em Portugal cresceu 4,9% em 2025, abaixo da variação nominal do Produto Interno Bruto, que subiu 5,9%. Paralelamente, o peso do sector no PIB diminuiu para 16,1%. Estes números refletem uma trajectória de desaceleração que tem impacto directo nas ilhas, onde o turismo tem um papel central na economia local.

Nos primeiros seis meses de 2026, o número de hóspedes estrangeiros aumentou marginalmente (+1,9%) face ao período homólogo. Contudo, as taxas de ocupação por cama e por quarto registaram descidas a nível nacional, com recuos mais acentuados no Alentejo, nos Açores e na Área Metropolitana de Lisboa. Em especial, Lisboa foi a única região onde o preço médio por quarto disponível (RevPAR) caiu no acumulado de Janeiro a Junho de 2026, com uma diminuição de 3,5%.

Impacto no alojamento local e no rendimento por quarto

O segmento do alojamento local da capital também enfrentou quebras: o rendimento por quarto recuou 7,6% e o número de hóspedes diminuiu 3,2%. No arquipélago, operadores e pequenos proprietários acompanham com preocupação os sinais negativos que chegam do mercado urbano e nacional, já que muitas decisões de capacidade e preços nas ilhas são influenciadas pela dinâmica turística do território continental e das cidades pólo.

Contrastes regionais: Porto e Norte em expansão

Em contrapartida, a região do Porto e Norte sobressaiu no primeiro semestre, com um crescimento de 5,4% em dormidas e 5,6% em proveitos, concentrando três em cada quatro dormidas adicionais geradas em todo o país. Este contraste evidencia a heterogeneidade do mercado turístico nacional e aponta para deslocações de procura entre destinos.

  • Consumo turístico (2025): +4,9%
  • PIB nominal (2025): +5,9%
  • Peso do turismo no PIB: 16,1%
  • Hóspedes estrangeiros (1.º semestre 2026): +1,9%
  • RevPAR em Lisboa (Jan-Jun 2026): -3,5%
  • Alojamento local (Lisboa) rendimento por quarto: -7,6%
  • Alojamento local (Lisboa) número de hóspedes: -3,2%

Factores que explicam o abrandamento

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) chamou a atenção para vários factores que contribuem para a desaceleração do sector. Entre esses elementos estão:

  • a perda de poder de compra dos consumidores;
  • o aumento do custo das viagens;
  • a crescente concorrência de outros destinos europeus;
  • a inflação nos custos operacionais das empresas.

Para as ilhas dos Açores, qualquer pressão inflacionista nos custos — nomeadamente energia, combustíveis e logística — tende a ter um impacto mais directo e rápido, dadas as distâncias e as especificidades da insularidade. Além disso, a sazonalidade e a dependência de mercados externos tornam a região mais vulnerável a variações de procura.

O que muda para as ilhas

Uma desaceleração moderada no indicador nacional traduziu-se já em desafios concretos para agentes turísticos insulares: menor ocupação em determinadas épocas, pressão sobre tarifas e necessidade de ajustar ofertas para manter atractividade. A forma como o arquipélago se posiciona — quer em termos de promoções, quer na diversificação de mercados emissores e de produtos turísticos (natureza, birdwatching, turismo activo, gastronomia) — será determinante para mitigar efeitos adversos.

IndicadorValor / Variação
Consumo turístico (2025)+4,9%
PIB nominal (2025)+5,9%
Peso do turismo no PIB16,1%
Hóspedes estrangeiros (1.º semestre 2026)+1,9%
RevPAR Lisboa (Jan-Jun 2026)-3,5%
Rendimento por quarto (AL Lisboa)-7,6%

Para as comunidades insulares, a agenda imediata passa por monitorizar a evolução da procura nos próximos meses, ajustar estratégias de preço e canal de distribuição e procurar apoiar micro e pequenas empresas do sector que enfrentem aumento de custos. A interdependência entre continental e ilhas, o custo de mobilidade e a fragilidade das cadeias logísticas continuam a condicionar a capacidade de resposta do arquipélago.

À medida que chegam novos dados ao longo do ano, acompanhar a evolução regional será essencial para perceber se os Açores conseguirão contornar a tendência nacional de abrandamento ou se necessitarão de medidas específicas de promoção e apoio para sustentar empregabilidade e rendimento local.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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