A sucessão ao governo do Paraná em 2026 se consolida como uma disputa em três frentes, marcada por projetos distintos e pela tentativa de nacionalizar parte do debate político estadual. O quadro expõe, ao mesmo tempo, a influência da máquina do atual governo e a emergência de candidaturas que buscam representar alternativas locais e nacionais.
Três projetos, um eleitor para decidir
De um lado está a candidatura do PSD, representada pelo deputado federal Sandro Alex, oficializada nesta quarta-feira, 12 de agosto, com o objetivo explícito de defender a continuidade administrativa do governador Ratinho Junior (PSD). O candidato precisa demonstrar que tem peso próprio, não apenas a condição de herdeiro político. O próprio episódio recente em que não foi reconhecido por moradores do bairro Ecoville, em Curitiba, durante a inauguração de uma rede de supermercados, ilustra parte do desafio de construir identificação local.
Na outra ponta, o ex-prefeito e ex-senador Requião Filho (PDT) mira o Palácio Iguaçu e concentra esforços no campo da oposição regional, dirigindo sua artilharia política diretamente contra o grupo que administra o Estado.
Paralelamente, o cenário ganhou uma terceira força que mistura elementos estaduais e nacionais: o senador Sergio Moro, agora filiado ao PL, apresenta sua candidatura com ênfase na polarização nacional. Em março, Moro formalizou sua mudança para o PL e, desde então, tem posicionado sua campanha com ataques ao PT e ao presidente Lula, ao mesmo tempo em que prometeu apoio a Flávio Bolsonaro no plano federal, sinalizando a rearticulação entre bolsonarismo e lavajatismo no Paraná.
PT identifica o adversário a ser combatido
O Partido dos Trabalhadores faz leitura própria do tabuleiro: para os petistas, o principal rival não é necessariamente a máquina estadual, mas sim Moro, cuja trajetória e recente alinhamento eleitoral despertam preocupação no PT. A avaliação se baseia tanto na capacidade eleitoral do ex-juiz quanto em sua função simbólica como ponte entre correntes políticas de direita e do lavajatismo.
Essa percepção altera o foco estratégico do PT, que opta por concentrar recursos e críticas nele, buscando influenciar cenários de segundo turno possíveis.
Implicações práticas para a corrida
A disputa não será decidida apenas por selos partidários ou por redes de prefeitos. Para chegar ao segundo turno, cada candidatura terá de ampliar sua base de apoio além do eleitorado tradicional e demonstrar capilaridade territorial. Alguns pontos a considerar:
- Máquina administrativa: a candidatura do PSD parte da vantagem institucional de Ratinho Junior, mas precisa provar autonomia política.
- Oposição regional: Requião Filho aposta em retomada do espaço local contra o grupo no poder.
- Polarização nacional: Moro tenta transformar a disputa estadual em palanque para temas federais e alianças com forças de direita.
Mapa de candidaturas
O ambiente eleitoral no Paraná já tem alguns nomes lançados e posicionamentos públicos claramente delineados. Abaixo, uma síntese do que se confirmou até o momento.
| Candidato | Partido | Posicionamento |
|---|---|---|
| Sandro Alex | PSD | Defesa da continuidade do governo Ratinho Junior; registro formalizado em 12/08 |
| Requião Filho | PDT | Oposição regional, alvo direto do projeto de continuidade |
| Sergio Moro | PL | Polarização nacional; reaproximação com forças de direita e lavajatismo |
O papel do eleitor paranaense
Mais do que as estratégias de máquina, serão as escolhas dos eleitores que determinarão quais projetos avançam até um eventual segundo turno. A geografia eleitoral do Paraná — que articula litoral, áreas metropolitanas e interior agrícola — exige propostas que dialoguem com realidades diversas: infraestrutura portuária, desenvolvimento regional, saúde, segurança pública e gestão de recursos estaduais.
Campanhas terão de combinar presença local com narrativa estadual e nacional, dependendo do eixo adotado por cada candidatura. A capacidade de transpor apoios de líderes municipais para eleitorado amplo será decisiva.
Próximos passos
Com registro e filiações formalizadas, o calendário eleitoral e as convenções partidárias moldarão o formato definitivo das chapas e das coligações. Até lá, o jogo político no Paraná continuará a se desenvolver entre articulações internas, atos públicos e tentativas de consolidar identidades eleitorais em um contexto em que forças locais e nacionais interagem de maneira crescente.
O resultado final dependerá da interação entre recursos institucionais, capilaridade partidária e, sobretudo, das decisões dos eleitores paranaenses nas urnas.