Um levantamento da Emater revela que os temporais ocorridos entre 20 e 29 de julho, somados a um tornado, causaram danos em 30 mil propriedades rurais distribuídas por 101 municípios do Rio Grande do Sul. O documento detalha perdas em culturas, infraestrutura produtiva e abastecimento de água, e aponta as regiões Norte, Vales, Serra e Campanha como as mais impactadas.
Escala dos prejuízos
Segundo a Emater, os temporais comprometeram equipamentos, instalações e lavouras: foram afetados 18 mil km de estradas vicinais, 1.730 casas e 1.396 galpões. Além disso, o levantamento registrou danos em 207 armazéns e silos, 223 estufas/túneis plásticos e 183 açudes. No abastecimento público e rural, foram constatadas 173 fontes de água contaminadas e 1.205 famílias sem acesso à água.
Perdas agrícolas por cultura
O relatório discrimina as perdas nas principais lavouras e cadeias produtivas. As maiores incidências se deram na produção de grãos, tubérculos, hortaliças, tabaco e fruticultura de citros.
| Cultura | Hectares afetados / Quantidade perdida | Produtores afetados |
|---|---|---|
| Trigo | 40.490 hectares afetados; 19.595 toneladas perdidas | 1.969 |
| Canola | 18.593 hectares afetados; 7.788 toneladas perdidas | — |
| Batata | 37.895 toneladas perdidas | — |
| Tabaco | 40.060 toneladas perdidas | 788 |
| Folhosas e brássicas | 19.644 toneladas perdidas | — |
| Citros (laranja e bergamota) | 6.890 toneladas perdidas | — |
Impacto na pecuária e outros segmentos
A pecuária também sofreu perdas: o levantamento contabiliza a morte de 43 bovinos de corte, 25 bovinos de leite e 51 suínos. Na piscicultura foram registradas 17,4 toneladas de peixes perdidas, e na apicultura houve a perda de 30 caixas. Esses números apontam para efeitos imediatos na renda familiar e na disponibilidade de insumos para mercados regionais.
Municípios atingidos pelo tornado
O relatório da Emater cita explicitamente que o tornado atingiu os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, concentrando parte dos danos mais severos em estruturas e lavouras nessas localidades.
Consequências logísticas e humanitárias
As avarias extensas em estradas vicinais complicam o escoamento da produção e a chegada de ajuda técnica e insumos. A danificação de armazéns e silos prejudica a armazenagem de safra e pode elevar perdas pós-colheita, enquanto a contaminação de fontes e a falta de água para mais de mil famílias impõem riscos sanitários imediatos.
Medidas e desafios
- Reconhecimento e mapeamento dos danos para liberar apoio técnico e financeiro;
- Recuperação emergencial de acessos e reparos em infraestruturas críticas (silos, galpões, estradas);
- Monitoramento da qualidade da água e ações de abastecimento temporário às famílias afetadas.
O levantamento da Emater oferece um retrato quantitativo dos estragos, mas também sinaliza a necessidade de políticas públicas integradas entre assistência técnica, defesa civil, prefeituras e segurança hídrica para mitigar efeitos de eventos climáticos extremos. Produtores rurais e comunidades locais agora enfrentam o desafio da recuperação produtiva e social, bem como a busca por soluções para reduzir vulnerabilidades diante de episódios meteorológicos intensos.
Além do levantamento técnico, a recomposição da capacidade produtiva dependerá de linhas de crédito, seguros rurais acionáveis e programas de reestruturação da produção, que deverão ser articulados entre órgãos estaduais e federais, cooperativas e instituições de assistência técnica.
O impacto setorial e regional reforça a urgência de políticas de adaptação climática no campo e a importância de investimentos em infraestrutura resiliente para proteger famílias e cadeias produtivas do Rio Grande do Sul.