Sesab pede documentos que comprovem número de mortes na fila da regulação em Feira de Santana
A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) cobrou formalmente da Prefeitura de Feira de Santana informações que comprovem a afirmação do prefeito José Ronaldo (União) de que 700 pessoas teriam morrido em 2025 enquanto aguardavam regulação. O pedido, segundo a Sesab, inclui a apresentação de fontes, metodologia, critérios e documentos que embasam o dado.
De acordo com os dados estaduais citados na cobrança, mais de 17 mil moradores de Feira de Santana passaram pela Central Estadual de Regulação ao longo de 2025. Para 2026, a Sesab informa que, até junho, foram regulados 4.932 pacientes, todos encaminhados para unidades estaduais.
| Período | Pacientes regulados | Destino |
|---|---|---|
| 2025 | Mais de 17.000 | — |
| 2026 (até junho) | 4.932 | 100% para unidades estaduais |
Resposta do prefeito e encaminhamento ao Ministério Público
O prefeito José Ronaldo afirmou que já encaminhou ao Ministério Público da Bahia documentação referente às declarações sobre as mortes na fila da regulação em 2025. Segundo a nota do prefeito, os documentos teriam sido enviados ao órgão ministerial para que sejam verificados e adotadas as providências cabíveis.
A divulgação da informação pelo chefe do Executivo municipal gerou questionamentos do governo do estado sobre a fonte e a forma de apuração do número citado, ressaltando a necessidade de responsabilidade na divulgação de dados tão sensíveis.
Posição da Sesab e pedido de esclarecimentos
A secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, afirmou que a Sesab já oficiou a Prefeitura solicitando os elementos que sustentem a afirmação e que, até o momento, não recebeu resposta. A secretária ressaltou a exigência de clareza na apresentação dos dados por parte de gestores públicos experientes.
“Já se passou quase um mês e nós não recebemos nenhum documento. Eu reitero o desafio ao prefeito, quero que ele apresente os dados, a metodologia. José Ronaldo está em seu quinto mandato, é um gestor público experiente, e precisa ter responsabilidade com os dados.”
O episódio coloca em evidência o funcionamento da regulação hospitalar no estado e os reflexos sobre pacientes da rede pública, em especial em municípios de grande porte como Feira de Santana, que concentram demandas do interior e da própria região metropolitana.
Implicações locais e necessidade de transparência
Para a população feirense, a controvérsia traz à tona dúvidas sobre o acesso a leitos e a qualidade da coordenação entre rede municipal e estadual. A regulação é um mecanismo essencial para alocar vagas hospitalares segundo prioridade clínica e disponibilidade, e discrepâncias nos números podem gerar desconfiança na gestão do serviço.
- Sesab solicitou fontes, metodologia e documentos ao município;
- Prefeito afirma ter entregue documentação ao Ministério Público;
- Em 2025, mais de 17 mil feirenses passaram pela Central Estadual de Regulação; em 2026, até junho, foram 4.932 regulados.
O desfecho depende agora da tramitação dos documentos junto ao Ministério Público e da eventual apresentação das evidências pedidas pela Sesab. Até a publicação desta reportagem, não houve divulgação pública pela Prefeitura de Feira de Santana das provas que embasariam o número de 700 mortes referido pelo prefeito.
Em um ano eleitoral, temas sensíveis da saúde pública, como a regulação e os desfechos clínicos de pacientes em espera por leitos, tendem a ganhar ainda mais espaço no debate público. A população aguarda esclarecimentos oficiais e transparência para avaliar responsabilidades e buscar soluções que garantam atendimento oportuno e seguro.
Feira de Santana permanece no centro do debate sobre a interface entre administração municipal e gestão estadual da saúde, com possíveis desdobramentos administrativos e judiciais conforme avancem as apurações.