Diagnóstico: infraestrutura deficiente e pouco espaço para modos ativos
São Luís enfrenta desafios históricos de mobilidade urbana que afetam diariamente quem circula pela capital maranhense. Em entrevista ao programa Abrindo o Verbo, da Mirante News, a doutora em Transportes e Trânsito Zuleide Feitosa avaliou o cenário atual, destacando problemas de infraestrutura, falhas no transporte coletivo, falta de acessibilidade e poucas alternativas seguras para pedestres e ciclistas.
Segundo a especialista, o município dispõe de um conjunto normativo e de planejamento — o plano de mobilidade urbana — que não tem sido, contudo, executado com a necessária responsabilidade pela gestão pública. Para Zuleide, as leis e diretrizes já existem e é urgente colocar em prática as medidas previstas.
“O que falta é responsabilidade política com a nossa mobilidade. A política de mobilidade em si, ela promove todo esse debate, ela está escrita, não tem por que refazer lei. Leis não precisam mais de serem feitas, elas estão perfeitas para serem executadas. O nosso problema é quando o gestor público não se ocupa de fazer a gestão da lei.”
Propostas e alternativas técnicas
Na avaliação apresentada, a solução passa por ações coordenadas que priorizem:
- execução do plano de mobilidade urbana;
- investimentos em transporte coletivo de qualidade;
- incentivo à mobilidade ativa (caminhada e bicicleta) com infraestrutura adequada;
- avaliação de alternativas de transporte sobre trilhos ou em corredores, como VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e VLP (Veículo Leve sobre Pneus).
Essas medidas, segundo a especialista, devem vir acompanhadas de intervenções de segurança viária e priorização do usuário vulnerável — pedestres e ciclistas — nas ruas da cidade.
Contexto de investimentos e estudos
O debate sobre mobilidade em São Luís surge também em um contexto federal e de estudos técnicos. Entre as matérias relacionadas na cobertura, há menções a um estudo do BNDES e do Governo Federal prevendo recursos para obras de mobilidade, além de programas federais que podem destinar aportes ao transporte público e à modernização dos sistemas urbanos. A cidade também foi mencionada em anúncios de recursos, como R$ 269,7 milhões do Novo PAC para modernização do transporte público.
| Problema | Solução proposta |
|---|---|
| Transporte coletivo com baixa qualidade | Investimento em renovação de frota e gestão integrada |
| Falta de infraestrutura para pedestres e ciclistas | Construção de calçadas, ciclovias e travessias seguras |
| Ausência de planejamento executado | Implementação do plano de mobilidade urbana já existente |
Impactos para o cotidiano do cidadão
Para o morador de São Luís, a não execução do plano significa trajetos mais longos e inseguros, maior dependência do transporte motorizado individual e custos mais altos no deslocamento diário. A implementação de alternativas como VLT ou VLP pode alterar o desenho dos deslocamentos metropolitanos, mas exige estudos de viabilidade técnica e financeira, além de política pública consistente.
Zuleide Feitosa enfatiza que a mobilidade é uma política que articula questões urbanas, econômicas e sociais: sem gestão efetiva e investimentos direcionados, as leis e planos permanecem no papel, sem traduzir-se em benefícios concretos para a população.
O debate sobre mobilidade em São Luís ganha mais relevância à medida que a cidade se aproxima de sua data de aniversário, quando o tema costuma voltar ao centro das discussões públicas. A execução do plano de mobilidade e a priorização de ações de curto, médio e longo prazo são apontadas como passos essenciais para reduzir problemas recorrentes e melhorar a qualidade de vida de quem circula pela capital maranhense.