O Maranhão chega ao pleito de 2026 com oito candidaturas oficialmente registradas para o cargo de governador, em um quadro eleitoral marcado pelo divórcio político entre as alas que comandaram o Executivo estadual nos últimos anos. O racha entre o atual governador e a base ligada ao ex-governador e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) quebrou uma aliança de quase duas décadas e reconfigura o tabuleiro local.
Contexto e origem do racha
O distanciamento entre as forças políticas que até então governavam de forma alinhada teve origem em disputas internas que se acentuaram a partir de 2023. As controvérsias envolveram ocupação de cargos-chave, entre eles a Presidência da Assembleia Legislativa e vagas no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), além de atritos jurídicos e acusações que afastaram aliados históricos.
Na sucessão estadual, a disputa se materializou com a decisão do governador de apoiar o sobrinho como seu candidato, enquanto o vice-governador manteve candidatura própria, fortalecendo o desgaste da antiga aliança. Esses movimentos alteram a correlação de forças e podem impactar a governabilidade, composição administrativa e negociações com o Legislativo nos anos subsequentes.
Quem são os candidatos
A lista oficial traz nomes de todas as correntes políticas registradas no Tribunal Regional Eleitoral. Os candidatos, apresentados em ordem alfabética pelo nome de urna, são:
- André Luís (Missão) — número 14;
- Dimas Cassimiro (PCO) — número 29;
- Eduardo Braide (PSD) — número 55;
- Felipe Camarão (PT) — número 13;
- Orleans Brandão (MDB) — número 15;
- Reginaldo Lima (PCB) — número 21;
- Roberto Rocha (PRTB) — número 28;
- Saulo Arcangeli (PSTU) — número 16.
| Candidato | Partido | Número |
|---|---|---|
| André Luís | Missão | 14 |
| Dimas Cassimiro | PCO | 29 |
| Eduardo Braide | PSD | 55 |
| Felipe Camarão | PT | 13 |
| Orleans Brandão | MDB | 15 |
| Reginaldo Lima | PCB | 21 |
| Roberto Rocha | PRTB | 28 |
| Saulo Arcangeli | PSTU | 16 |
Calendário e procedimentos eleitorais
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos válidos, os dois mais votados avançam para o segundo turno, previsto para 25 de outubro. O registro das candidaturas na Justiça Eleitoral formaliza a presença dos nomes na disputa e permite o início oficial dos atos de campanha previstos em lei.
Além da definição de quem disputará a chefia do Executivo, o resultado das urnas terá efeitos diretos sobre a composição de secretarias, escolha de auxiliares e articulação com o Legislativo estadual. A fragmentação do campo político que dominou o Estado torna mais provável a necessidade de construir alianças pós-eleitorais para garantir governabilidade.
Desdobramentos e o que observar
Eleitores e analistas devem acompanhar, nos próximos dias, alguns pontos-chave:
- A formação e a estabilidade de coligações;
- O comportamento eleitoral nas principais cidades, especialmente em São Luís, onde o desempenho local tende a influenciar resultados estaduais;
- A capacidade dos candidatos de atrair parlamentares e lideranças regionais, fator determinante para costurar maioria na Assembleia Legislativa.
O cenário eleitoral no Maranhão combina elementos de continuidade e ruptura. A presença de nomes com histórico administrativo, como ex-prefeitos e ex-senadores, contrasta com candidaturas de menor expressão institucional. Esse mosaico eleitoral definirá os vetores de debate público nas semanas que antecedem o primeiro turno e influenciará as prioridades de gestão a serem discutidas com o eleitorado.
Em um processo em que alianças históricas se desfizeram, o resultado vai além da escolha de um governante: indicará também como será a recomposição das forças políticas e a distribuição de poder no Estado para o próximo ciclo administrativo.