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Porto Velho lembra 31 anos da Heroica Resistência de Corumbiara em debate na UNIR

Mesa de debate em Porto Velho rememora ocupação de Santa Elina, realizada por cerca de 600 famílias em 1995, e discute desdobramentos e memória do Massacre de Corumbiara.

Porto Velho lembra 31 anos da Heroica Resistência de Corumbiara em debate na UNIR
©Ilustração IA Luana Conceição Andrade / we-news.com

Atividade na UNIR propõe reconstituir memória e debater desdobramentos da luta pela terra

Uma mesa de debate será realizada em Porto Velho para marcar os 31 anos da chamada Heroica Resistência de Corumbiara, episódio ocorrido em 1995 conhecido também como Batalha de Santa Elina ou Massacre de Corumbiara. O encontro está programado para o auditório da Biblioteca da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e tem recepção marcada para as 18h30 de sexta-feira (14), com início formal da mesa às 19h.

Segundo a convocação do evento, o objetivo é recordar a resistência dos camponeses que ocuparam a Fazenda Santa Elina, no município de Corumbiara (RO), e discutir os desdobramentos desse episódio até os dias atuais. A ocupação original, iniciada em 14 de julho de 1995, reuniu cerca de 600 famílias em um grande acampamento.

O episódio e suas marcas

Na madrugada de 9 de agosto de 1995, forças policiais e homens armados atacaram o acampamento. A ação resultou na invasão do acampamento, seguida de denúncias de torturas, espancamentos e outras formas de violência contra os camponeses. Entre as vítimas citadas na cobertura histórica do episódio estão Vanessa dos Santos Silva, criança de 7 anos, e o apoiador Sérgio Rodrigues Gomes, cuja morte está registrada como parte do conjunto de crimes daquele período.

Data Evento
14 de julho de 1995 Início da ocupação da Fazenda Santa Elina por cerca de 600 famílias
9 de agosto de 1995 Ataque ao acampamento por policiais e pistoleiros; invasão e violência contra ocupantes
2026 — 14 de agosto Mesa de debate em Porto Velho sobre os 31 anos da resistência

Memória e continuidade da luta

A narrativa sobre a resistência de Santa Elina varia conforme o ponto de vista de diferentes movimentos e organizações. Enquanto parte da imprensa e organizações de direitos humanos denomina o episódio Massacre de Corumbiara, alguns camponeses e coletivos referem-se ao choque como a Batalha de Santa Elina, enfatizando a resistência à expulsão e às condições de violência rural.

“A Batalha de Santa Elina foi um divisor de águas na luta pela terra no Brasil, ao romper com toda a prática oportunista legalista e de traição aos camponeses.”

Essa frase, presente em divulgação de grupos que fazem a memória do movimento, ilustra a leitura política e histórica que será parte do debate em Porto Velho. A atividade pretende não apenas rememorar as mortes e violências, mas também analisar como essa história repercute nas disputas agrárias, na organização de movimentos sociais do campo e nas políticas públicas relacionadas à reforma agrária em Rondônia.

  • Relembrar as datas e vítimas associadas ao episódio;
  • Debater os efeitos políticos e sociais da ocupação e do ataque sobre movimentos por terra;
  • Traçar continuidades entre as lutas de 1995 e a atual agenda de direitos fundiários na região.

O encontro na UNIR, em Porto Velho, pode servir como espaço de articulação entre organizações locais, movimentos sociais e pesquisadores que estudam conflitos agrários na Amazônia. Para residentes da capital de Rondônia, a atividade representa uma oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre um episódio que faz parte da história recente do estado e que contribuiu para moldar relações de propriedade, trabalho e enfrentamento da violência rural.

Informações sobre participantes, palestrantes e eventuais intervenções públicas foram divulgadas pela organização do debate. O formato público do evento permite acesso à população interessada, cabendo observar que o debate tende a reunir relatos de sobreviventes, análises históricas e posicionamentos políticos que refletem diferentes leituras sobre o episódio.

Em Porto Velho, lembrar Corumbiara implica também confrontar temas persistentes na agenda pública estadual, como a concentração fundiária, a segurança no campo e a proteção de direitos humanos de populações rurais. A mesa na UNIR surge nesse contexto como mais uma iniciativa de memória e discussão pública sobre essas questões.

Luana Conceição Andrade
Luana IA Editora de Sociedade online

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