A jornalista e ativista Marcela Bonfim chamou atenção, em entrevista ao Instituto Conhecimento Liberta (ICL), para a participação dos chamados negros barbadianos na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) e para a necessidade de preservar as trajetórias desses trabalhadores como parte central da memória social de Rondônia.
Uma presença pouco lembrada
Segundo Bonfim, os relatos sobre a presença de trabalhadores provenientes de Barbados e de outras áreas do Caribe britânico integram um capítulo relevante da história da ferrovia — obra que começou a ser erguida no final do século XIX e foi inaugurada em 1912. Ela defendeu ampliar o conhecimento público sobre essas histórias para reconhecer a contribuição da população negra na formação social, econômica e cultural do território que hoje constitui o estado de Rondônia.
A EFMM é um dos símbolos históricos da região amazônica. A construção da ferrovia ocorreu em um contexto marcado por desafios ambientais, sanitários e logísticos, ponto também ressaltado por Bonfim durante a conversa com o Instituto. A jornalista considerou que recuperar essas narrativas é imprescindível para uma compreensão mais completa da história local.
O que se sabe sobre os trabalhadores barbadianos
O termo "negros barbadianos" refere-se a trabalhadores oriundos de Barbados e de outras partes do Caribe britânico que chegaram à região para atuar na construção da ferrovia. Vindos de contextos e experiências diversas, eles passaram a integrar a população que se estabeleceu na área durante o período de implantação e funcionamento da EFMM.
- Origem: Barbados e outras ilhas do Caribe britânico.
- Período: final do século XIX até o início do século XX, com a ferrovia inaugurada em 1912.
- Desafios enfrentados: condições ambientais, problemas sanitários e dificuldades logísticas na região amazônica.
Memória e identidade local
Para a jornalista, a recuperação dessas histórias não se limita ao resgate de fatos. Trata-se também de reconhecer a presença afrodescendente como um componente estruturante na formação do estado. A valorização dessas memórias tem implicações práticas para a história pública: orienta preservação de acervos, guiões de museus, conteúdos escolares e debates culturais que tratem da diversidade de trajetórias que compõem Rondônia.
Bonfim relatou que o contacto com relatos relacionados aos negros barbadianos despertou um interesse aprofundado em pesquisar e divulgar trajetórias da população negra na região. Embora a entrevista ao ICL tenha destacado pontos já conhecidos sobre a EFMM, a ênfase recaiu sobre a importância de institucionalizar essas narrativas no campo da memória histórica.
Por que a preservação importa
A preservação das memórias citadas tem efeitos múltiplos: ajuda a reconstruir identidades locais, contribui para um entendimento mais amplo dos processos migratórios e laborais que marcaram a Amazônia e desafia narrativas históricas que tendem a invisibilizar grupos marginalizados.
Além disso, a inclusão dessas histórias em espaços públicos de memória pode oferecer referências para políticas culturais e educativas, ampliando a visibilidade das contribuições afrodescendentes na formação do estado.
| Marco | Data/Período |
|---|---|
| Início da construção da EFMM | Final do século XIX |
| Inauguração oficial | 1912 |
A reportagem registra a iniciativa do Instituto Conhecimento Liberta em dar espaço a vozes que investigam e divulgam essa história. O destaque dado por Marcela Bonfim reacende a necessidade de pesquisas, preservação documental e iniciativas públicas que incorporem essas trajetórias ao cânone histórico regional.
O debate sobre a memória dos trabalhadores barbadianos na construção da EFMM levanta questões que atravessam passado e presente: como as comunidades locais lembram e transmitem essas histórias, quais acervos documentais e orais estão acessíveis, e que medidas são necessárias para que a contribuição desses trabalhadores seja reconhecida de forma mais ampla na narrativa sobre Rondônia.