Familiares de alunos do Educandário São João Batista, no bairro Ipanema, Zona Sul de Porto Alegre, denunciaram que a Prefeitura substituiu, na terça-feira (15), a empresa que realizava o transporte adaptado do programa Porta a Porta por outra que não dispõe de veículos preparados para pessoas com mobilidade reduzida. Segundo os responsáveis, os novos carros não têm rampas nem adaptações posturais e, em ao menos um caso, a cadeira de rodas não coube no porta-malas.
Relatos de risco e falta de segurança
De acordo com os familiares, a mudança foi percebida na manhã de quarta-feira (16), quando táxis não adaptados compareceram para buscar mais de 30 alunos atendidos pelo Educandário. Em função da inadequação dos veículos, alguns estudantes deixaram de ir à instituição nos dias 16 e 17 de setembro.
“A cadeira do meu filho, que é toda adaptada, não coube dentro do carro. A Spin deitou o banco traseiro e colocou a cadeira do Bernardo. Aí onde que ia ir eu e o Bernardo? Só sobrou um banco, o da frente, para nós dois. Eu teria que levar ele no colo, é muito inseguro e perigoso”
O depoimento acima é de Joice Beatriz Rodrigues, 43 anos, mãe de um dos alunos e representante do grupo de mães atendidas pelo serviço. Joice relatou que o filho Bernardo, de 11 anos, que convive com síndrome de Shone, autismo e epilepsia, não conseguiu ir à escola na quarta e na quinta-feira devido à falta de transporte adaptado. Segundo a família, apenas um aluno atendido pelo serviço compareceu ao Educandário na quarta-feira.
Histórico do serviço e reação das famílias
A Associação Táxi Acessível de Porto Alegre, que prestava o serviço há cerca de dois anos, foi substituída por outra empresa que, segundo as famílias, não é especializada em transporte inclusivo. Os responsáveis afirmam que, em alguns casos, motoristas teriam sugerido retirar as crianças das cadeiras de rodas para acomodá‑las nos bancos dos veículos, solução considerada insegura e inadequada para usuários que precisam permanecer em seus equipamentos durante o trajeto.
- Data da substituição informada pelas famílias: terça-feira, 15 de setembro.
- Observação do uso de veículos não adaptados: quarta-feira, 16 de setembro.
- Alunos que deixaram de ir à escola: relatos apontam que a maior parte dos atendidos pelo serviço não compareceu nos dias 16 e 17.
Posicionamento da Prefeitura
Em resposta às reclamações, a Secretaria Municipal informou que o projeto está em fase de transição e afirmou que todos os usuários terão seus direitos atendidos. A declaração da administração municipal consta no conjunto de reportagens sobre o caso, mas não detalha o cronograma de retorno do serviço adaptado nem especifica medidas imediatas para garantir o transporte seguro de crianças que utilizam cadeiras de rodas.
| Evento | Data | Consequência relatada |
|---|---|---|
| Substituição da empresa prestadora | 15/09 | Novos veículos não adaptados |
| Percepção das famílias | 16/09 | Mais de 30 alunos sem transporte adequado |
| Frequência escolar afetada | 16 e 17/09 | Vários alunos deixaram de ir ao Educandário |
O caso reacende o debate sobre a adequação de serviços municipais para pessoas com deficiência e sobre os mecanismos de transição entre prestadores de serviço quando há demandas sensíveis à segurança e à adaptabilidade dos veículos. Familiares ressaltam que transportar crianças com necessidades específicas exige treinamento dos motoristas e equipamentos que não são intercambiáveis.
Representantes do grupo de mães manifestaram preocupação com a saúde e a segurança dos filhos, além do impacto na rotina escolar e familiar. O episódio também levantou questionamentos sobre controles contratual e operacional por parte da gestão pública, e sobre como serão assegurados o atendimento contínuo e a proteção dos direitos dessas crianças enquanto vigora a transição do serviço.
WE NEWS acompanha o caso e buscará atualizações junto à Prefeitura de Porto Alegre e ao Educandário São João Batista para obter detalhes sobre as medidas imediatas previstas e o prazo para restabelecimento do transporte adaptado.