Fim das linhas
Na sexta-feira (14), foi o último dia de circulação das linhas de lotação Jardim Vila Nova e Menino Deus, que deixaram de operar a partir de sábado (15) em Porto Alegre. A suspensão do serviço foi confirmada pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e pela Secretaria de Mobilidade Urbana da cidade, que informaram ter sido comunicadas pelos permissionários sobre a decisão motivada pela falta de passageiros e pela inviabilidade financeira da operação.
Dados de demanda e posicionamento da prefeitura
Segundo dados da prefeitura, a média de passageiros transportados em dias úteis era de cerca de 500 por dia na linha Menino Deus e de 600 por dia na Jardim Vila Nova. A EPTC e a Secretaria de Mobilidade afirmaram que a demanda dessas duas linhas "tem plena capacidade de ser absorvida pela oferta de ônibus atual" e indicaram alternativas para os usuários afetados.
| Linha | Média de passageiros (dias úteis) | Data de encerramento |
|---|---|---|
| Menino Deus | 500 | 14 de agosto (último dia de operação) |
| Jardim Vila Nova | 600 | 14 de agosto (último dia de operação) |
Reações de trabalhadores e usuários
No terminal da Avenida Senador Salgado Filho, no Centro Histórico, o encerramento foi vivido com emoção por trabalhadores das lotações e passageiros. O fiscal Eugênio da Silva Feijó, de 60 anos, que atuou no local por quatro décadas, descreveu o momento como doloroso:
— Para mim, está sendo triste, porque é uma vida da gente aqui. Faz 40 anos que eu estou de fiscal aqui, desde os 22 anos. E a gente faz amizade com todo mundo, os passageiros são nossos amigos. É uma tristeza ter que estar se despedindo de todo mundo que nem a gente está se despedindo dessa forma.
Usuários também registraram o impacto pessoal do fim das linhas. A jornalista e professora Laura Maria Gluer, de 52 anos, fotografou a lotação do Menino Deus na partida e afirmou sentir perda para a mobilidade local.
Motivações e limite da intervenção pública
A prefeitura lembrou que o custeio da operação de lotações depende exclusivamente do pagamento da tarifa pelos passageiros, diferindo do modelo de subsídio aplicado a parte do transporte por ônibus. Em comunicado, as secretarias responsáveis destacaram que a legislação vigente não confere ao Poder Público a prerrogativa de obrigar a permanência das operações quando os permissionários comunicam inviabilidade.
Alternativas e próximos passos
A EPTC e a Secretaria de Mobilidade orientaram os usuários sobre as linhas de ônibus que podem absorver a demanda deixada pelas lotações. As autoridades manifestaram lamento pela descontinuidade do serviço e reforçaram o monitoramento da oferta para ajustes, sem detalhar novos subsídios ou compensações aos permissionários.
- Impacto imediato: deslocamento de centenas de passageiros diariamente.
- Motivo alegado pelos permissionários: queda de passageiros e inviabilidade financeira.
- Resposta da prefeitura: demanda passível de absorção pela malha de ônibus; limites legais para intervenção.
A descontinuidade das linhas de lotação reabre debates sobre o modelo de mobilidade urbana em Porto Alegre, a sustentabilidade econômica de serviços alternativos e a necessidade de ações públicas para garantir acesso e regularidade no transporte. A EPTC mantém canais de atendimento abertos para usuários e indicou que eventuais ajustes na oferta de ônibus serão avaliados conforme necessidade e fluxo nos próximos dias.