Uma operação da Polícia Civil realizada nesta quarta-feira mobilizou equipes em cinco Estados em ação contra a maior facção de Porto Alegre, apontada pelas autoridades como uma das mais violentas do Rio Grande do Sul. A ofensiva, conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), mira o desmantelamento das estruturas de financiamento e dos esquemas de lavagem de dinheiro da organização.
Objetivo da ação e alcance territorial
Segundo investigação que durou um ano e três meses, a ofensiva busca desarticular a base financeira do grupo e atingir ramificações interestaduais. As ordens judiciais incluem 33 mandados de prisão preventiva e 121 mandados de busca e apreensão cumpridos em diversos municípios do RS e em outros quatro Estados.
As cidades gaúchas alcançadas pela operação incluem Porto Alegre, Gravataí, Alvorada, Viamão, Charqueadas e Novo Hamburgo. Também houve cumprimento de medidas em São Paulo, Goiás, Tocantins e Santa Catarina.
“Nós temos uma organização criminosa já há bastante tempo enraizada em território gaúcho”,
diz parte do diagnóstico apresentado pela delegada responsável pelo caso, que aponta conexões interestaduais e transnacionais.
Resultados parciais e medidas financeiras
Até o momento, as forças de segurança confirmaram 31 prisões efetuadas, das quais quatro foram em flagrante. Dentre os alvos com ordens de prisão preventiva, 13 estão presos no sistema penitenciário. Entre os nomes citados no cumprimento dos mandados estão detentos que passaram a receber novas ordens de prisão no curso da operação.
Além das prisões, a investigação prevê ações sobre o patrimônio do grupo. A expectativa é de bloqueio de aproximadamente R$ 6 milhões em ativos e o sequestro de bens, com foco em imóveis e outros recursos que alimentariam a máquina financeira da organização criminosa.
Crimes investigados
As autoridades detalharam um quadro multifacetado de atuação da facção, com destaque para:
- tráfico de drogas;
- comércio e remessa de armas, munições e explosivos;
- clonagem de veículos por encomenda;
- alojações organizadas e financiamento de organização criminosa armada;
- recrutamento e aliciamento de menores;
- esquemas de lavagem de capitais em dois núcleos distintos.
Operação e força empregada
Do total de profissionais empregados na ação, aproximadamente 480 policiais participaram das diligências simultâneas. A operação incluiu equipes especializadas na repressão ao crime organizado, busca e apreensão e investigação financeira.
| Item | Quantidade |
|---|---|
| Mandados de prisão preventiva | 33 |
| Ordens de busca e apreensão | 121 |
| Prisiões cumpridas até o momento | 31 |
| Policiais envolvidos | ~480 |
| Estados com ações | Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás, Tocantins, Santa Catarina |
Impacto esperado e próximos passos
As autoridades afirmam que o cerco financeiro à organização tem como finalidade “asfixiar” a capacidade operacional do grupo, dificultando a manutenção de atividades criminosas e o financiamento de novos crimes. A estratégia combina prisões de liderança, bloqueio de recursos e apreensão de bens móveis e imóveis.
O Deic informou que a investigação continuará para identificar e atingir outras ramificações e estruturas financeiras que sustentem a facção. A continuidade das apurações inclui o acompanhamento dos bens bloqueados, análise documental e cooperação com outras unidades da federação para rastrear recursos e estruturas de apoio.
Esta operação representa uma escalada das ações de inteligência e repressão ao crime organizado no Estado, num cenário em que autoridades buscam reduzir a violência e enfraquecer redes com atuação além das fronteiras gaúchas. O resultado final da ofensiva dependerá ainda da validação das provas em âmbito judicial e do desfecho das ações de bloqueio patrimonial e das medidas cautelares em curso.
Reportagem local para WE NEWS, com informações das autoridades policiais e do Deic.