O Piauí registrou queda de 57,1% no número de vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) consolidados pelo Painel de Dados de Segurança Pública. O total passou de 28 vítimas no primeiro semestre de 2025 para 12 vítimas no mesmo intervalo deste ano — redução absoluta de 16 casos.
Indicadores e posição relativa
Além da diminuição em números absolutos, o Piauí apresentou redução na taxa de feminicídios por 100 mil mulheres, calculada pelo SINESP VDE e consolidada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). A taxa caiu de 1,68 (jan–jul/2025) para 0,72 (jan–jul/2026), o que colocou o estado entre os que apresentam as menores taxas no país: passou a ocupar a sétima menor posição entre as 27 unidades da Federação.
| Período | Vítimas | Taxa por 100 mil mulheres |
|---|---|---|
| Jan–Jul/2025 | 28 | 1,68 |
| Jan–Jul/2026 | 12 | 0,72 |
Fatores apontados pelas autoridades
A delegada Nathália Figueiredo, titular do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), relacionou a queda a uma combinação de medidas de prevenção, investigação e repressão. Segundo a delegada, operações policiais e o cumprimento de prisões teriam contribuído para a redução, assim como ações preventivas direcionadas à violência doméstica e familiar.
“Celebrar essa redução considerável. O Piauí, de fato, vinha de uma conjuntura que estava acima da média nacional. Encarou o problema de frente”, disse a delegada Nathália Figueiredo.
Ela ressaltou, entretanto, que a trajetória de redução exige continuidade nas ações. A delegada enfatizou desafios persistentes, especialmente no campo da prevenção e na desconstrução de padrões culturais associados à misoginia, que, segundo ela, permanecem enraizados na sociedade.
Principais frentes citadas
- Operações policiais e cumprimento de prisões relacionadas a casos de violência contra a mulher;
- Ações preventivas voltadas ao rompimento de padrões de violência e à proteção de potenciais vítimas;
- Investigações especializadas conduzidas pelo Núcleo de Feminicídio e pelo DHPP.
Contexto e implicações
Embora a redução registrada seja expressiva em termos percentuais e absolutos, especialistas em segurança pública costumam advertir que variações em curto prazo em números criminais devem ser interpretadas com cautela. Flutuações anuais ou semestrais podem refletir fatores pontuais, como operações policiais concentradas, alteração nos critérios de registro ou mesmo efeitos de políticas públicas recentes.
Para consolidar uma tendência de queda sustentada, fontes oficiais indicam a necessidade de manutenção e ampliação de políticas integradas: implementação de redes de acolhimento e proteção, qualificação das investigações, capacitação de profissionais das forças de segurança e justiça, e políticas públicas de prevenção que atuem sobre determinantes sociais e culturais da violência contra a mulher.
O que permanece como prioridade
Mesmo com o recuo nos números, as autoridades reconhecem que a agenda de enfrentamento à violência de gênero no Piauí ainda exige ações continuadas. A delegada destacou que prisões e investigações são importantes, mas que o viés preventivo — voltado à educação, assistência às vítimas e desconstrução de práticas misogínicas — é decisivo para reduzir de forma duradoura os casos de violência letal contra mulheres.
Os dados oficiais do MJSP e da Senasp servem como parâmetro para monitoramento e planejamento das políticas estaduais e federais. A divulgação periódica desses indicadores permite avaliar a efetividade de medidas adotadas e recalibrar estratégias conforme a evolução dos números.
O monitoramento nacional e local seguirá sendo acompanhado por órgãos de segurança e pela sociedade civil, que mantêm atenção sobre a evolução dos indicadores e sobre a implementação de políticas voltadas à proteção das mulheres no Piauí.