O total de adolescentes aptos a votar no Rio Grande do Sul entre 16 e 17 anos sofreu uma queda próxima a 30% em relação às eleições gerais de 2022, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2026, o estado contabiliza 54.702 eleitores nessa faixa etária, contra 80.044 quatro anos antes.
Contexto demográfico e diferença entre eleitorado e população
Parte da redução está associada à diminuição do contingente populacional desses adolescentes. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compiladas pela Secretaria Estadual de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), indicam que o Rio Grande do Sul tem aproximadamente 10% menos pessoas de 16 e 17 anos em 2026 do que em 2022. Ainda assim, a retração do número de eleitores supera a queda demográfica — o que levanta perguntas sobre adesão e mobilização desse segmento.
Fenômenos nacionais e explicações para a queda
O movimento observado no Rio Grande do Sul acompanha tendência nacional. No país, o total de jovens aptos a votar recuou de cerca de 2,1 milhões nas eleições anteriores para 1,6 milhão em 2026 — uma redução em torno de 22%. Especialistas ouvidos pelo WE NEWS apontam fatores combinados: mudanças demográficas locais, menor busca pelo título de eleitor e fatores de ordem cultural e política que afetam o interesse dos jovens pela política institucional.
O papel das campanhas e das redes sociais
Segundo a professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFRGS, Jennifer Azambuja de Morais, a variação na participação está associada à presença — ou ausência — de campanhas fortes da Justiça Eleitoral e ao tipo de engajamento jovem. Entre 2018 e 2022, houve aumento significativo do cadastramento jovem motivado por ações do TSE que mobilizaram influenciadores e personalidades. Sem esforços semelhantes em 2026, explica a pesquisadora, a adesão voltou a cair.
"A gente viu na eleição anterior um forte movimento do TSE para os jovens poderem se cadastrar, fazerem o seu título de eleitor. Aquela campanha, que se utilizou de influencers, de várias personalidades, chamou muitos jovens. Como a gente não viu esse mesmo movimento neste ano, isso volta a cair."
Jennifer também relaciona o fenônemo a uma percepção de pouca representatividade entre os políticos tradicionais — majoritariamente de faixas etárias mais elevadas — e ao desencanto com o sistema político.
Engajamento digital versus presença presencial
Especialistas destacam que o padrão de participação dos jovens mudou: há alta atividade em ambientes digitais, mas isso nem sempre se transfere para ações presenciais ou para o ato de registrar-se como eleitor. A pesquisadora ressalta que o engajamento online difere do presencial e que a visibilidade em redes sociais não equivale, necessariamente, à formalização do voto.
- 2022 (RS): 80.044 eleitores de 16 e 17 anos
- 2026 (RS): 54.702 eleitores de 16 e 17 anos
- Variação demográfica: IBGE projeta ~10% menos pessoas nessa faixa no RS entre 2022 e 2026
- Brasil: queda de ~22% no total de jovens aptos a votar entre 2022 e 2026 (2,1 milhões para 1,6 milhão)
| Ano | Eleitores 16–17 (RS) | Variação |
|---|---|---|
| 2022 | 80.044 | — |
| 2026 | 54.702 | ≈ -30% |
Impactos nas eleições e orientações práticas
A diminuição do número de jovens eleitores pode alterar dinâmicas locais de campanha e estratégias de mobilização, principalmente em municípios onde o contingente jovem tem maior peso relativo. Para quem tem entre 16 e 17 anos e deseja participar do processo eleitoral, o voto é facultativo, mas o cadastramento exige a emissão do título de eleitor dentro do prazo fixado pela justiça eleitoral. Diante da retração, organizações civis e órgãos públicos podem considerar ações focalizadas para estimular o registro e esclarecer dúvidas sobre o procedimento.
O fenômeno também exige atenção das instituições: sem campanhas de sensibilização e facilitação do cadastro, a tendência é que a participação formal dos jovens permaneça reduzida, mesmo com alto nível de atividade política em plataformas digitais. A diferença entre presença online e participação institucional permanece um desafio a ser enfrentado por pesquisadores, educadores e operadores eleitorais.
Dados do TSE e projeções do IBGE apontam para uma mudança demográfica e comportamental cujo reflexo prático será monitorado nas urnas de outubro, quando será possível avaliar se a queda no cadastro se traduzirá em menor comparecimento entre os jovens ou se novas estratégias de mobilização reverterão a tendência.