Uma nova atualização do monitoramento climático internacional projeta que o El Niño continuará se fortalecendo nos próximos meses e há alta probabilidade de que alcance intensidade muito forte entre o fim do inverno e o início da primavera. O alerta está fundamentado em dados divulgados pelo Climate Prediction Center (CPC/NOAA) e compilados pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, com apoio de órgãos estaduais de monitoramento.
Dados recentes e probabilidades
Em julho, a anomalia média da temperatura da superfície do mar na região referência Niño 3.4 ficou em 1,4 °C acima da média, nível que caracteriza atualmente o fenômeno como de intensidade entre moderada e forte. Em monitoramento semanal anterior, o valor chegou a 1,8 °C, patamar que precisa persistir por um mês para que a classificação seja elevada automaticamente para forte (acima de 1,5 °C).
O relatório do CPC/NOAA traz probabilidades que reforçam a tendência de aquecimento rápido:
- 93% de chance de o El Niño atingir intensidade muito forte entre setembro e outubro de 2026;
- 95% de probabilidade de que o fenômeno permaneça muito forte entre outubro e dezembro de 2026;
- 69% de chance de que este seja o El Niño mais intenso registrado desde 1950.
O que já se observa em Santa Catarina
Os efeitos do El Niño já aparecem nos registros estaduais: julho teve volumes de chuva acima do esperado para a época do ano em várias regiões do estado, segundo dados de Epagri/Ciram, Defesa Civil de Santa Catarina e INMET. A tendência indicada pelo monitoramento é de que esse quadro se repita em agosto, com aumento da frequência e intensidade de eventos de precipitação.
Riscos e recomendações para a estação mais chuvosa
Com a aproximação da primavera e a chegada do verão — períodos naturalmente mais chuvosos em Santa Catarina —, a intensificação do El Niño eleva a necessidade de atenção a:
- chuvas fortes e volumosas em curtos períodos;
- temporais com raios, granizo e rajadas de vento;
- possibilidade de alagamentos, deslizamentos e danos a infraestruturas;
- impactos na agricultura, turismo e na operação de serviços públicos durante a alta temporada.
Dados em destaque
| Período | Indicador | Probabilidade / Valor |
|---|---|---|
| Julho de 2026 | Anomalia TSM (Niño 3.4) | +1,4 °C (média mensal) |
| Monitoramento semanal (10/08/2026) | Anomalia registrada | +1,8 °C (valor semanal) |
| Set/Out 2026 | Chance de intensidade muito forte | 93% |
| Out/Dez 2026 | Persistência do evento muito forte | 95% |
| Grau histórico | Possibilidade de ser o mais intenso desde 1950 | 69% |
Implicações setoriais e preparação
A projeção de rápido aquecimento do Pacífico tropical exige coordenação entre órgãos de meteorologia, Defesa Civil, prefeituras e setores produtivos. Em Santa Catarina, polos de inovação climática e institutos de pesquisa, como centros vinculados à Epagri/Ciram, são peças-chave para gerar previsões regionais mais detalhadas e orientar medidas de mitigação e adaptação.
No setor turístico, a temporada de primavera/verão demanda planejamento extra para eventos ao ar livre, transporte e abrigo em áreas litorâneas e serranas. Para a agricultura, a variabilidade pluviométrica pode afetar cultivos e demanda monitoramento contínuo do estado do solo e dos reservatórios de água.
O que acompanhar
As autoridades recomendam atenção aos boletins diários e alertas emitidos por Epagri/Ciram, Defesa Civil estadual e INMET, além das atualizações internacionais do CPC/NOAA e outros centros de monitoramento. Medidas de preparo incluem revisão de planos municipais de contingência, limpeza de bueiros e valas, e orientações à população sobre segurança em episódios de chuva intensa.
O fenômeno El Niño é um componente climático de escala global com repercussão local significativa. A evolução rápida observada nos indicadores reforça a necessidade de comunicação ágil entre instituições e de ações preventivas para reduzir riscos à população e à economia de Santa Catarina.