Um cabo do Exército lotado em Salvador está sob investigação por suspeita de repassar armamentos e munições a organizações criminosas, segundo apurações divulgadas. As investigações apontam para negociações que teriam envolvido vendas de munições de fuzil dos calibres 5.56 e 7.62, além de tratativas sobre granadas e possíveis negociações de armas.
Como o caso veio à tona
O nome do militar — identificado nas apurações como Deivison dos Santos Ferreira, lotado no 6º Batalhão de Polícia do Exército (BPE) — surgiu no curso de uma investigação sobre narcotráfico em Salvador. Em abril, policiais localizaram um imóvel em Itapuã usado para armazenar e preparar drogas. Em buscas no local, foram apreendidos aparelhos celulares que passaram por perícia.
Em um dos celulares, pertencente a um suspeito apontado como comprador e revendedor de armas e entorpecentes, constavam conversas atribuídas ao militar. O comprador foi identificado nas apurações como Gabriel Reis Oliveira. Segundo os investigadores, mensagens atribuídas a Deivison indicam negociações diretas e a disponibilização de dados para recebimento de pagamentos.
"As conversas indicariam a venda de aproximadamente mil munições de fuzil, dos calibres 5.56 e 7.62, além de tratativas sobre granadas"
Modalidade do desvio e hipótese investigativa
Investigadores levantam a hipótese de que parte do material possa ter sido retirada dos estoques do Exército durante atividades de treinamento. Na rotina da unidade, sobras de munições e granadas empregadas em exercícios deveriam ser devolvidas ao paiol, mas as apurações apontam para possível desvio e adulteração de registros de estoque com a finalidade de ocultar faltas.
Mensagens analisadas mencionaram também atividades de treinamento em Paulo Afonso, com indicação de possibilidade de obtenção de mais material após tais exercícios. Não há, até o momento, confirmação oficial sobre a quantidade de granadas eventualmente envolvidas.
Itens citados na apuração
| Item | Detalhes mencionados |
|---|---|
| Munições | Aproximadamente 1.000 unidades, calibres 5.56 e 7.62 |
| Granadas | Quantidade não estabelecida nas apurações divulgadas |
| Armas | Negociações e tratativas mencionadas, sem detalhes públicos sobre tipos ou quantidades |
Operação e desdobramentos
A apuração foi vinculada a uma ação maior que encontrou o militar citado nas conversas. Em razão das evidências extraídas dos aparelhos apreendidos no imóvel de Itapuã e das mensagens analisadas, o caso passou a integrar uma operação policial que investiga o fornecimento de material bélico a grupos criminosos na cidade.
- O militar investigado atuava no 6º BPE, com lotação em Salvador.
- Mensagens indicaram o uso de CPF e chave Pix por parte do suposto vendedor para receber valores.
- As conversas foram obtidas a partir de celulares apreendidos em operação ligada ao narcotráfico.
Autoridades responsáveis pela investigação ainda não divulgaram, oficialmente, conclusões finais sobre o caso nem detalharam medidas administrativas ou penais adotadas contra o militar. A apuração segue em curso para confirmar a origem exata do material e identificar toda a cadeia de atuação dos supostos compradores e intermediários.
Para a população de Salvador, o episódio eleva questionamentos sobre o controle de estoques de material militar e os mecanismos de fiscalização em exercícios e unidades que atuam na cidade e região. O suposto envolvimento de um integrante das Forças Armadas, se confirmado, representa um agravante na já delicada relação entre o armamento disponível e a violência praticada por organizações criminosas no ambiente urbano.
Fontes consultadas na reportagem basearam-se nas informações divulgadas durante a apuração da operação e em documentos de investigação relacionados ao caso. Novas informações podem surgir à medida que os procedimentos policiais e militares avançarem, e as autoridades responsáveis forem se manifestando formalmente.