A LG inaugurou nesta quinta-feira (13) uma planta industrial dedicada à produção de linha branca em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba. O complexo, o segundo da empresa no Brasil e o primeiro voltado a refrigeradores e, futuramente, máquinas lava e seca, recebeu aporte aproximado de R$ 1,5 bilhão e ocupa 770 mil metros quadrados.
Capacidade e metas de mercado
Segundo a empresa, a unidade terá inicialmente capacidade para fabricar 600 mil geladeiras por ano, com ritmo de montagem que permite a produção de um aparelho a cada 14 segundos. A operação começará em um turno, com possibilidade de ampliação conforme a demanda, incluindo dobrar o volume de produção de geladeiras.
A estratégia anunciada aponta para a migração da produção local de itens hoje importados ou fabricados em outras unidades, com o objetivo de reduzir em até 80% o prazo de entrega ao varejo. A LG também estabeleceu a meta de alcançar 20% do mercado de linha branca nos próximos anos.
Etapas de produção e nacionalização
Geladeiras serão os primeiros produtos fabricados na planta de Fazenda Rio Grande. Após a estabilidade dessa linha, a companhia pretende iniciar a produção de máquinas lava e seca. A empresa informou ainda que, até o fim do ano, pretende nacionalizar mais de 25 modelos do seu portfólio.
Para adaptar os equipamentos às preferências locais, a LG trouxe técnicos da Coreia do Sul para colaborar com a tropicalização dos produtos, incluindo características como maior capacidade de freezer e reorganização de compartimentos, refletindo hábitos de consumo brasileiros.
"Em um momento em que o país discute reindustrialização, esse projeto mostra que a LG quer fazer parte dessa agenda de forma concreta", afirmou Daniel Song, presidente da LG para a América Latina.
Impacto regional e cadeia produtiva
A chegada de uma planta de grande porte ao Paraná tem efeitos diretos sobre a cadeia industrial local: fornecedores de componentes, logística, serviços e comércio devem ser mobilizados. A decisão de concentrar produção no país também reduz exposição a oscilações de frete internacional e prazos de importação, fator relevante diante das interrupções recentes nas cadeias globais.
No curto prazo, a fábrica tende a gerar empregos diretos na montagem e operação, além de vagas indiretas em fornecedores e transporte. A LG já opera no Brasil há 30 anos, com outra unidade em Manaus dedicada a eletrônicos, monitores e equipamentos de climatização, o que facilita a integração entre plantas e transferência de conhecimento técnico.
- Investimento: R$ 1,5 bilhão
- Área: 770 mil m²
- Capacidade inicial: 600 mil geladeiras/ano
- Ritmo de montagem: 1 geladeira a cada 14 segundos
- Meta de mercado: 20% do segmento de linha branca
Operação e perspectivas
A planta funcionará inicialmente em um turno, com possibilidade de ampliação conforme a demanda de mercado. A expectativa da empresa é ajustar a produção gradualmente, inclusive com a introdução de novos modelos nacionalizados. A redução de prazos ao varejo anunciada pode alterar dinamicamente a concorrência com marcas já estabelecidas no segmento, como Brastemp e Electrolux, citadas em análises setoriais sobre participação de mercado.
| Item | Dado |
|---|---|
| Investimento | R$ 1,5 bilhão |
| Área construída | 770 mil m² |
| Capacidade anual | 600 mil geladeiras |
| Tempo de montagem | 1 unidade a cada 14 segundos |
Para o Paraná, a fábrica acrescenta um capítulo importante na agenda de atração de investimentos industriais e diversificação produtiva. A consolidação de produção local de eletrodomésticos tende a incrementar a demanda por serviços técnicos especializados e por fornecedores regionais, oferecendo oportunidade de desenvolvimento para pequenas e médias empresas do estado.
A confirmação das vagas diretas, incentivos fiscais eventualmente utilizados e acordos com fornecedores ainda não foram detalhados pela LG na divulgação oficial; além disso, o cronograma completo para a nacionalização dos modelos e a transição para produção em maior escala dependerá da evolução da demanda e de ajustes operacionais.
O anúncio reforça o movimento mais amplo de algumas multinacionais em localizar produção no Brasil como resposta a mudanças nas cadeias globais e a políticas de estímulo à indústria. Em nível local, a presença da LG em Fazenda Rio Grande representa um ponto de inflexão para a economia metropolitana de Curitiba e para o parque industrial paranaense.