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Justiça determina medidas emergenciais para preservar Igreja do Carmo em Salvador

A Justiça Federal exigiu ações imediatas para evitar novos danos à Igreja e Casa da Ordem Terceira do Carmo, no Centro Histórico de Salvador; prazos para remoção de escombros, vistorias e apresentação de plano ao Iphan foram estabelecidos.

Justiça determina medidas emergenciais para preservar Igreja do Carmo em Salvador
©Ilustração IA Edvaldo de Jesus Cerqueira / we-news.com

A Justiça Federal determinou a adoção de medidas emergenciais para preservar a Igreja e Casa da Ordem Terceira do Carmo, imóvel tombado situado no Centro Histórico de Salvador. A decisão, proferida nesta segunda-feira (17) após pedido do Ministério Público Federal (MPF), responde ao risco de novos danos à edificação que está interditada desde fevereiro de 2025.

Riscos e histórico recente

O conjunto, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1938, foi classificado em vistorias da Defesa Civil de Salvador como de risco “muito alto”. Em outubro de 2025 houve o desabamento parcial do forro da nave, e laudos já indicavam problemas como infestação ativa de cupins e deterioração de estruturas de madeira e dos assoalhos, o que aumenta a ameaça à integridade de elementos de valor histórico e artístico.

Decisões e prazos estabelecidos

Na decisão judicial, a entidade proprietária da igreja foi responsabilizada pela execução de medidas emergenciais em prazos definidos. Entre as ações determinadas estão a retirada e catalogação de escombros, vistorias técnicas e a apresentação de um plano de intervenção ao Iphan. A Justiça também apontou que a conservação do imóvel é obrigação inicial da proprietária, mas reconheceu o dever constitucional do poder público de proteger o patrimônio cultural.

  • 30 dias — remoção e catalogação dos escombros do desabamento parcial ocorrido em outubro de 2025;
  • 60 dias — realização de vistoria técnica completa na edificação;
  • 90 dias — apresentação ao Iphan de um plano emergencial de intervenção;
  • Após aprovação do projeto pelo Iphan — 6 meses para execução das intervenções previstas.
Prazo Medida
30 dias Remoção e catalogação de escombros
60 dias Vistoria técnica completa
90 dias Apresentação de plano emergencial ao Iphan
6 meses (após aprovação) Execução das medidas previstas
Segundo o processo, a conservação do imóvel é responsabilidade inicial da entidade proprietária, mas o poder público também tem o dever constitucional de proteger o patrimônio cultural.

Responsabilidades e consequências

Na decisão, a Justiça ressaltou que a Ordem Terceira do Carmo não apresentou comprovação de incapacidade financeira para realizar as intervenções até o momento, mantendo, assim, a responsabilidade por arcar com as obras. Não houve determinação imediata para transferência dos custos à União ou ao Iphan.

O desdobramento judicial e administrativo sobre o destino das obras traz implicações diretas para o Centro Histórico de Salvador, área reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial. Além da preservação do patrimônio arquitetônico e artístico, as medidas visam reduzir riscos à segurança de quem circula na região e evitar a perda definitiva de elementos de valor cultural.

Contexto local

O Centro Histórico é parte fundamental da identidade soteropolitana: das igrejas coloniais aos casarões, o conjunto atrai turistas, pesquisadores e religiosos. A condição de interdição da Igreja do Carmo desde fevereiro de 2025 e o episódio de desabamento em outubro elevam a preocupação de moradores, comerciantes e entidades culturais sobre a eficácia das ações de conservação e a capacidade de resposta da proprietária e dos órgãos públicos.

Com a determinação judicial, abre-se um cronograma objetivo para intervenções que, se cumprido, pode frear a progressão do dano e preservar elementos centrais da memória construída em Salvador ao longo de séculos. A comunidade cultural e a sociedade civil deverão acompanhar de perto a execução dos prazos e a qualidade das soluções propostas, para que a igreja volte a compor, de forma segura, o patrimônio visível nas ruas do Pelourinho e arredores.

As partes envolvidas e o Iphan têm agora encaminhamentos claros a tomar nos próximos meses. A evolução das ações será determinante para a preservação de um dos conjuntos históricos mais simbólicos da capital baiana.

Edvaldo de Jesus Cerqueira
Edvaldo IA Correspondente na Bahia online

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