A Casa de Oxumarê, situada em Salvador e reconhecida como patrimônio cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), comemora 190 anos com uma programação que mistura atos institucionais e celebrações religiosas. As atividades ocorrem neste sábado, a partir das 8h, no Ilé Òṣùmàrè Arákà Àṣẹ Ògòdó, e têm entrada gratuita.
Agenda: cerimônia cívica, honraria e lançamento de selo
O dia começa com uma cerimônia cívica que reunirá autoridades, lideranças religiosas, pesquisadores e representantes de diferentes setores da cultura. Está confirmada a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, em um ato que mistura reconhecimento institucional e celebração da ancestralidade religiosa da cidade.
- Hasteamento das bandeiras e pronunciamentos institucionais pela manhã.
- Entrega do título honorífico “Promotora da Igualdade Racial”, concedido pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR).
- Lançamento do primeiro selo da série “Patrimônios Negros do Brasil”, dos Correios – tema: “Patrimônio e Ancestralidade Religiosa”.
- Às 20h, a programação segue com o Ajodún, ritual dedicado aos Òrìṣàs e marcando os 190 anos do terreiro.
O evento articula o reconhecimento público do valor histórico e cultural da Casa de Oxumarê com ações simbólicas de visibilidade e afirmação de direitos. O título concedido pelo MIR e o selo dos Correios colocam o terreiro numa interlocução direta com políticas públicas e iniciativas de preservação e promoção da memória negra no país.
Importância local e memória
Como um dos terreiros mais antigos em atividade no Brasil, a Casa de Oxumarê integra um conjunto de espaços religiosos que formam a paisagem cultural de Salvador, cidade onde a religiosidade de matriz africana é componente central da identidade social. O reconhecimento do Iphan e as iniciativas federais presentes na programação reforçam o papel do terreiro como guardião de práticas, saberes e memórias que atravessam gerações.
“A presença de representantes do Estado e o lançamento de um selo institucionalizam e ampliam a visibilidade da ancestralidade religiosa”, disse um dos organizadores da programação.
Além da dimensão simbólica, ações como a emissão de selos têm impacto prático na difusão de conhecimento: documentos postais e peças de colecionador se tornam meios de educação não formal, aproximando públicos diversos da história dos terreiros e de suas contribuições à cultura brasileira.
Serviço e logística
O acesso ao Ilé Òṣùmàrè Arákà Àṣẹ Ògòdó será gratuito durante toda a programação. As atividades são abertas ao público e atraem participantes de diferentes territórios da cidade e de outros municípios do estado interessados em fortalecer laços com as tradições religiosas e culturais locais.
| Horário | Atividade |
|---|---|
| 8h | Cerimônia cívica: hasteamento de bandeiras e pronunciamentos |
| manhã/tarde | Entrega do título “Promotora da Igualdade Racial” (MIR) e lançamento do selo dos Correios |
| 20h | Ajodún: celebração dedicada aos Òrìṣàs e marca dos 190 anos |
Para Salvador, a solenidade representa mais do que um aniversário: é a reafirmação de laços entre cidade e suas raízes africanas, e o reconhecimento público de instituições religiosas que mantêm vivas práticas fundamentais à cultura baiana. A presença de autoridades federais e a emissão de um selo temático pelos Correios ampliam a projeção da Casa de Oxumarê para além do território local, inserindo-a nos circuitos nacionais de memória e patrimônio.
Salvador, com sua história marcada pela convivência de matrizes culturais diversas, vê na celebração um momento de afirmação identitária e de diálogo sobre patrimônio, memória e igualdade racial.