Pernambuco registrou um desempenho industrial expressivo no primeiro semestre de 2026: a produção industrial do Estado avançou 10,9% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física (PIM‑PF) do IBGE. O resultado coloca Pernambuco na 2ª posição entre as unidades da Federação pesquisadas, atrás apenas do Espírito Santo.
Contrastes entre semestre robusto e queda mensal
Apesar do salto no acumulado do ano, a produção pernambucana teve recuo em junho: -0,7% na comparação com maio, na série com ajuste sazonal. Na comparação mês a mês com junho de 2025, a indústria do Estado registrou queda de 5,2%. No entanto, no acumulado dos últimos 12 meses (julho de 2025 a junho de 2026) o avanço ficou em 6,4%.
Comparação regional e nacional
O desempenho de Pernambuco também se destaca quando comparado ao Nordeste e ao Brasil: enquanto o Estado cresceu 10,9% no semestre, a produção industrial do Nordeste recuou 0,2% no mesmo período e a indústria brasileira registrou expansão de 1,5%. Entre os cinco estados nordestinos incluídos na pesquisa, Pernambuco foi o único a apresentar alta no acumulado de janeiro a junho.
- Semestre (jan-jun/2026 vs jan-jun/2025): +10,9% (Pernambuco)
- Variação junho/maio (série dessazonalizada): -0,7%
- Junho/Junho (2026 vs 2025): -5,2%
- Acumulado 12 meses (jul/25 a jun/26): +6,4%
| Indicador | Variação |
|---|---|
| Semestre (jan-jun) | +10,9% |
| Junho vs Maio | -0,7% |
| Junho/Junho | -5,2% |
| Acumulado 12 meses | +6,4% |
Setores que impulsionaram a alta
Segundo os dados do IBGE, os ramos que mais contribuiram para o avanço no semestre foram os ligados a derivados de petróleo e química. Na comparação com junho de 2025, as maiores altas ocorreram em fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores, com aumento de 60,9%, e em fabricação de produtos químicos, que cresceu 49,4%.
No acumulado do primeiro semestre, o destaque ficou com a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que expandiu 52,9%. Esse mesmo segmento lidera também o crescimento no acumulado dos últimos 12 meses, com alta de 29,8%, seguido pela indústria de produtos químicos, com 7,5% no período.
Leitura dos números e implicações locais
O avanço no semestre indica um processo de recuperação e de dinamismo em setores estratégicos do parque industrial pernambucano, principalmente na indústria de transformação, responsável pela maior parcela da produção. Ainda assim, a queda intermensal e a retração na comparação anual de junho acendem alertas sobre volatilidade e desafios pontuais, especialmente no refino, área apontada como concentradora da retração.
Para trabalhadores, empresários e gestores públicos, os dados sinalizam que, embora haja ganhos importantes no acumulado, há necessidade de acompanhamento contínuo das cadeias produtivas e de políticas que mitiguem choques sazonais e rupturas logísticas que possam impactar o desempenho mês a mês.
O que acompanhar a seguir
Os próximos relatórios da PIM‑PF serão importantes para verificar se o forte desempenho do semestre se traduz em tendência sustentada ao longo do segundo semestre ou se a queda de junho reflete ajuste temporário. Observadores da economia local também acompanharão a evolução dos segmentos de refino, petroquímica e equipamentos de transporte, que têm estado atrás dos maiores ganhos ou perdas recentes.
Enquanto isso, a posição de Pernambuco entre os líderes nacionais reforça o debate sobre estratégias estaduais de atração de investimentos, diversificação industrial e integração com fornecedores locais — temas centrais para consolidar ganhos e gerar emprego e renda no Estado.
O resultado do IBGE coloca Pernambuco no radar nacional da indústria e obriga atores públicos e privados a traduzirem esse desempenho estatístico em medidas que preservem a competitividade conquistada e diminuam a exposição a retrações mensais.