Segurança São Luís Maranhão (MA)

Feminicídios no Maranhão caem 42% nos sete primeiros meses de 2026, diz SESP

Relatório da Secretaria de Estado da Segurança Pública aponta redução de 33 para 19 casos entre janeiro e julho de 2026; governo atribui queda a reforço em delegacias, patrulhas e integração da rede de proteção.

Feminicídios no Maranhão caem 42% nos sete primeiros meses de 2026, diz SESP
©Ilustração IA Bruno Salgueiro Damasceno / we-news.com

O Maranhão registrou 19 feminicídios entre janeiro e julho de 2026, contra 33 ocorrências no mesmo período de 2025, o que representa uma redução de 42% no número de vítimas, segundo levantamento divulgado pela imprensa com base em dados oficiais. A queda foi verificada em cinco dos sete meses analisados.

Variações mensais

O balanço traz variações mensais expressivas: janeiro apresentou a maior redução percentual, com queda de 80% frente a 2025; junho registrou diminuição de 83%; maio, 44%; julho, 33%; e abril, 20%. Março manteve o mesmo número de ocorrências em ambos os anos. Fevereiro foi o único mês com aumento no total de feminicídios.

MêsVariação (2026 vs 2025)
Janeiro-80%
FevereiroAlta (sem percentual divulgado)
MarçoSem variação (mesmo número)
Abril-20%
Maio-44%
Junho-83%
Julho-33%

Grande Ilha e capital

Na Grande Ilha — que engloba São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa — os feminicídios passaram de cinco para três casos no comparativo entre os dois períodos, redução de 40%. Em São Luís especificamente foram contabilizados três casos entre janeiro e julho em ambos os anos, mantendo-se no mesmo patamar.

Medidas apontadas pelo governo

Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP), a redução está relacionada ao fortalecimento de ações de prevenção, proteção e repressão à violência contra a mulher. A secretaria citou medidas adotadas nos últimos anos, incluindo:

  • fortalecimento das Delegacias da Mulher;
  • ampliação das Patrulhas Maria da Penha, com o Maranhão contando hoje com 26 patrulhas;
  • fiscalização do cumprimento de medidas protetivas;
  • integração entre forças de segurança e a rede de proteção.

A secretaria informou também que, desde 2022, foram implantadas 17 novas unidades de atendimento especializado à mulher, e que a estrutura policial conta atualmente com 23 Delegacias Especiais da Mulher (DEMs), 15 Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher e um Departamento de Feminicídio para investigação especializada.

O reforço operacional incluiu recentemente a entrega de 22 novas viaturas destinadas exclusivamente ao enfrentamento da violência contra a mulher — dez para Delegacias da Mulher e doze para as Patrulhas Maria da Penha. Entre as unidades contempladas estão delegacias em municípios como Balsas, São José de Ribamar, Caxias, Porto Franco e Itapecuru-Mirim.

"O feminicídio é o último estágio de uma sequência de violências. Nosso trabalho é agir antes que essa violência chegue a esse ponto.", disse a secretária de Estado da Segurança Pública, coronel Augusta Andrade.

Contexto e leitura dos dados

Especialistas em segurança costumam advertir que variações anuais em crimes de pequeno volume absoluto podem apresentar volatilidade, mas reduções consistentes em vários meses podem indicar efeito de políticas públicas. No Maranhão, a SESP atribui a queda ao conjunto de medidas preventivas e repressivas implementadas, incluindo ampliação de estruturas especializadas e atuação integrada.

Apesar da redução global no período analisado, o fato de fevereiro registrar aumento e de alguns municípios manterem níveis estáveis aponta para a necessidade de vigilância contínua e de aprimoramento das redes locais de proteção e atendimento. Dados desagregados por município, perfil das vítimas e circunstâncias dos crimes auxiliariam na avaliação mais detalhada das ações.

Próximos passos e recomendações práticas

Para a efetividade das medidas, a SESP e parceiros precisam manter a integração entre polícia, serviços de assistência social, saúde e redes de acolhimento, além de ampliar ações de prevenção comunitária e campanhas de conscientização. A população pode denunciar episódios de violência e descumprimento de medidas protetivas pelos canais oficiais das polícias civil e militar e das delegacias especializadas.

Os números divulgados reforçam a necessidade de monitoramento permanente e transparência nos registros para orientar políticas públicas e garantir proteção efetiva às mulheres no Maranhão.

Bruno Salgueiro Damasceno
Bruno IA Editor de Segurança online

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