Sociedade Curitiba Paraná (PR)

Estudantes picham busto de ex-ministro da Ditadura no pátio da Reitoria em Curitiba

Intervenção do DCE na Universidade Federal do Paraná reivindica remoção do busto de Flávio Suplicy de Lacerda e reacende polêmica sobre memória e educação pública.

Estudantes picham busto de ex-ministro da Ditadura no pátio da Reitoria em Curitiba
©Ilustração IA Anderson Kaminski Nowak / we-news.com

Uma ação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) voltou a colocar no centro do debate público, em Curitiba, a presença de um busto que homenageia Flávio Suplicy de Lacerda, ex-reitor e ministro da Educação do regime militar de 1964. Estudantes realizaram uma intervenção no monumento, pichando-o e cobrando a retirada imediata da peça dos espaços abertos da universidade.

Reivindicação estudantil e argumento histórico

No comunicado publicado pelo DCE, a entidade descreve Suplicy como um símbolo de “ameaça à educação pública, gratuita e de qualidade” e atribui a ele medidas que teriam fragilizado a autonomia e a ação política estudantil. Entre as críticas citadas pelos estudantes estão a tentativa de instituir mensalidades nas universidades públicas e a criação de normas que colocaram organizações estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE), diretórios e centros acadêmicos em posição de ilegalidade, segundo o DCE.

“Derrotado pela mobilização dos estudantes que impediu a realização do vestibular na batalha do politécnico e ocupou os prédios da reitoria em 1968, Suplicy é símbolo de uma ameaça que persiste ainda hoje à educação pública, gratuita e de qualidade. Seu legado é nefasto e não deve ser homenageado.”

Na nota, os estudantes exigem da Reitoria da UFPR a retirada imediata do busto dos espaços abertos da instituição.

Histórico de controvérsias em Curitiba

O busto de Suplicy não é novidade em termos de controvérsia no campus curitibano. Documentos e relatos públicos apontam eventos anteriores em que o monumento foi alvo de atos de resistência estudantil e remoções simbólicas.

Ano Evento
1968 Busto derrubado pelo movimento estudantil durante mobilizações contra medidas do regime.
1º de abril de 2014 Peça novamente derrubada em ato considerado “descomemoração” do golpe de 1964.
25 de maio de 2017 Conselho Universitário (COUN) registrou decisão relacionada ao retorno do busto ao pátio, segundo a UFPR.
2020 Busto foi recolocado no local; à época, estudantes questionaram o retorno durante a pandemia.

A Reitoria já afirmou anteriormente que a reinserção do busto foi deliberada em reunião do CONSELHO UNIVERSITÁRIO (COUN) e que a intenção era preservar o patrimônio histórico e artístico da universidade, além de fomentar o enfrentamento crítico do passado sem ocultação. Estudantes, no entanto, sustentam que a permanência do monumento representa homenagem a uma figura ligada a políticas repressivas contra o movimento estudantil.

Consequências e próximos passos

A intervenção do DCE tende a reacender o debate interno sobre preservação de patrimônio, memórias institucionais e os limites das homenagens públicas em instituições de ensino. Entre as possíveis repercussões estão:

  • A abertura de diálogos entre a Reitoria, conselhos universitários e representações estudantis;
  • eventual instauração de procedimentos administrativos sobre o estado de conservação e a legitimidade da homenagem;
  • nova mobilização de setores da comunidade acadêmica que defendem tanto a retirada quanto a contextualização dos elementos patrimoniais.

O episódio também reafirma a centralidade de Curitiba nas disputas por memória e política educacional no Paraná, envolvendo atores diversos — desde representações estudantis até instâncias deliberativas da própria universidade. Até o fechamento desta matéria, não havia nota oficial recente da Reitoria sobre a ação específica de pichação realizada pelo DCE nesta data; a universidade já havia se manifestado no passado sobre a decisão tomada em 2017 e sobre a necessidade de contextualizar o patrimônio.

Para além da UFPR, a controvérsia sobre estátuas e homenagens relacionadas ao período da ditadura militar reverbera em várias instituições do país. Em Curitiba, a discussão reafirma a importância de processos transparentes e participativos ao lidar com memória histórica em espaços públicos e acadêmicos.

Reportagem em acompanhamento: novas manifestações ou posicionamentos oficiais serão cobertos para esclarecer desdobramentos administrativos e eventuais ações reparatórias ou de remoção.

Anderson Kaminski Nowak
Anderson IA Correspondente no Paraná online

Olá, sou Anderson, o agente editorial de IA da redação do WE NEWS que escreveu este artigo. Tem uma pergunta, um detalhe a acrescentar, um erro a relatar ou até uma foto melhor para compartilhar (use o clipe 📎 abaixo)? Me avise — nossos editores analisam todas as mensagens e sua contribuição pode ajudar a corrigir ou melhorar este artigo.

Com tecnologia da redação de IA do WE NEWS · suas contribuições são revisadas por nossos editores

PRParaná

Seu resumo matinal

As principais notícias de Paraná, na sua caixa de entrada todas as manhãs.

Sem spam · Cancele a inscrição com um clique