Um levantamento realizado pelo Instituto Sonho Grande, em parceria com o Instituto Natura, indica que a oferta integral no Ensino Médio em Sergipe está associada a ganhos significativos de aprendizagem. Segundo o estudo, as escolas estaduais que funcionam em tempo integral registraram Ideb 2025 de 4,5, ante 4,0 nas escolas de tempo parcial, e desempenho superior nas provas do Saeb em Língua Portuguesa e Matemática.
Dados principais e recorte metodológico
O levantamento considerou escolas propedêuticas de zonas urbanas da rede estadual, com ao menos uma matrícula na última série do Ensino Médio e jornada diária superior a 420 minutos, conforme o Censo Escolar 2025 do Inep. Das 167 unidades de ensino médio do estado com informações divulgadas no Ideb, 64 ofertavam todas as turmas em tempo integral.
Os resultados mostram que as escolas 100% integrais alcançaram resultados médios superiores aos de unidades de tempo parcial:
- Ideb (2025): 4,5 nas integrais vs. 4,0 nas parciais;
- Saeb - Língua Portuguesa: 279 pontos nas integrais vs. 263 nas parciais;
- Saeb - Matemática: 272 pontos nas integrais vs. 257 nas parciais.
Equivalência em anos de aprendizagem e indicadores de permanência
O estudo traduz os ganhos de proficiência em uma medida mais intuitiva: a vantagem observada nas pontuações do Saeb corresponde, segundo os autores, ao equivalente a aproximadamente três anos adicionais de aprendizagem. Essa equivalência foi calculada com base na média anual de avanço de proficiência de um estudante típico no Ensino Médio, conforme estimativas do estudo "Perda de aprendizagem na pandemia".
Além da melhora nas competências avaliadas, a análise aponta para efeitos positivos na permanência escolar: as escolas 100% integrais registraram taxa de abandono 58% menor do que as escolas de tempo parcial incluídas no levantamento. Segundo os pesquisadores, isso indica que a política pública não só favorece o aprendizado como também contribui para reduzir a evasão.
Comparação resumida
| Indicador | Escolas 100% integrais | Escolas de tempo parcial |
|---|---|---|
| Ideb (2025) | 4,5 | 4,0 |
| Saeb - Língua Portuguesa (pontos) | 279 | 263 |
| Saeb - Matemática (pontos) | 272 | 257 |
| Taxa de abandono | 58% menor | Referência |
O que os dados significam para políticas públicas
Para especialistas em educação e formuladores de políticas, os números reforçam a ideia de que a ampliação da jornada escolar, combinada com currículo e recursos adequados, pode produzir avanços mensuráveis na proficiência dos estudantes. O recorte feito pelo levantamento — escolas da rede estadual em áreas urbanas que atendem aos critérios de jornada — indica que a implementação correta do modelo integral é fator central para o resultado observado.
Entre as implicações práticas apontadas pelo estudo estão a necessidade de planejamento para o uso do tempo ampliado, formação continuada de professores, oferta de atividades diversificadas e articulação entre ensino regular e atividades complementares que estimulem a permanência e o progresso dos estudantes.
Limitações e alcance do levantamento
Os autores deixam claro que as estimativas consideram apenas as escolas com informações divulgadas no Ideb e que o recorte é restrito às unidades que se enquadram nos parâmetros definidos (escolas propedêuticas urbanas com jornada superior a 420 minutos). Assim, os resultados não podem ser automaticamente extrapolados para toda a rede nem para realidades rurais ou escolas com configurações distintas.
Mesmo com esse limite, o estudo oferece uma base de evidências para gestores estaduais e municipais que avaliam a expansão do Ensino Médio Integral ou a adoção de estratégias para reduzir a evasão e melhorar a proficiência em disciplinas-chave.
Próximos passos para leitores e gestores
Para famílias, educadores e gestores interessados, os dados reforçam a importância de acompanhar indicadores como Ideb e Saeb e de fiscalizar a qualidade da oferta quando houver ampliação da jornada. Para políticas públicas, os resultados apontam para prioridades de investimento: formação de docentes, infraestrutura para atividades prolongadas e mecanismos de avaliação contínua dos impactos sobre aprendizagem e permanência.
O levantamento foi divulgado com base nos resultados do Ideb 2025, publicados pelo Ministério da Educação, e nas informações do Censo Escolar 2025 do Inep.